sábado, setembro 06, 2014

REGULAMENTO DAS FESTAS

Festas de Malcata(Foto de Júlio Cruz)

   A Diocese da Guarda  em 25 de Maio de 2011 fez aprovar a “Legislação Diocesana das Paróquias e Administração Paroquial” .  Este documento aborda os seguintes assuntos:
- A paróquia e o pároco;
- O Conselho Pastoral:
- Regulamento das Festas;
- Património Cultural e Arquivístico;
- O Centro Paroquial.
   Este documento tem como objectivo dar a conhecer a todos os fiéis das comunidades cristãs as orientações diocesanas quanto a estes assuntos.
   Quem conhece este documento? Por exemplo, em relação às festas de Malcata, nomeadamente a Festa Grande do mês de Agosto, assim por mim chamada para ser melhor identificada por todos os membros da comunidade paroquial da nossa aldeia, as várias mordomias que são anualmente nomeadas, são informadas da existência desta legislação diocesana?
   A Festa Grande de Malcata é uma festa de índole religioso. É visível aos olhos de todos que actualmente as cerimónias religiosas são as mais importantes para a comunidade paroquial. Contudo, as diversas manifestações festivas, embora realizadas no respeito pelos valores cristãos, são actividades extra-igreja, ou seja, profanas, mas também importantes para toda a adeia.
   A festa deste ano já é passado e agora interessa preparar a do próximo ano. Há que reunir as pessoas, pô-las ao corrente dos regulamentos das festas que a Diocese da Guarda deseja que seja colocado em prática. Dialogar, esclarecer e tenho a certeza que nascerá a Luz.
Nota final: Parabéns por mais um aniversário, Pe.Eduardo.

quinta-feira, setembro 04, 2014

HÁ FESTA SEM MORDOMOS?

 

As festas religiosas são para manter, para promover e para estimular. As festas religiosas são uma forma de os fiéis mostrarem publicamente a sua fé, quando esta é autêntica e verdadeira.
   Um dos objectivos fundamentais das festas religiosas é festejar com Deus e os Santos e com as pessoas da nossa comunidade paroquial.
   Estas são as razões da realização das festas religiosas em Malcata. Claro que para além destas razões as festas de Agosto em Malcata são uma ocasião privilegiada para as pessoas se encontrarem, as famílias se reunirem, de acolher os amigos e visitantes. É a oportunidade que temos para promover a fraternidade, a união, a alegria e a nossa aldeia.
   Para haver festa é necessário pessoas que a organizem, que trabalhem e se empenham para que as actividades corram todas bem e que sejam do agrado da maioria. Os mordomos devem sentir-se como colaboradores escolhidos e estarem ao serviço da comunidade paroquial, sabendo que estão a desempenhar uma missão que lhes foi confiada.
   Está claro que o principal objectivo das festas religiosas de Malcata, sejam em honra de que santo ou santa for, é louvar a Deus, agradecer a Deus a vida, o bem, a sã alegria, a fraternidade, a união, a confraternização de todos quantos participam na festa.
   Quem pode ser mordomo?
   Com que critérios se escolhem os mordomos?
   Qualquer pessoa pode ser mordomo?
 
   Na nossa aldeia, há uns anos atrás, os mordomos durante muitos anos foram sempre as mesmas pessoas. Havia duas comissões de festas: os mordomos da Senhora do Rosário e os mordomos do Sagrado Coração de Jesus. Com a evolução dos tempos e como a idade destas pessoas nunca parou no tempo, vieram lentamente novos elementos. Ao mesmo tempo, a sociedade também sofreu mudanças importantes, a democracia instalou-se no nosso país e as mudanças também chegaram a Malcata e alteraram o modo de organizar as festas religiosas. No meu entender, a religiosidade foi absorvida pela profanidade e outras realizações e eventos festivos.
   E agora como são nomeados os mordomos? Pelo que sei, a comissão deste ano, por exemplo, nomeou a lista de pessoas para as festas de S.Domingos, seguindo a tradição dos últimos anos.
   Mas algo se passou na véspera da grande festa e ainda falta esclarecer muita coisa.
   A responsabilidade das mordomias tem abrangido todos os aspectos da festa: os religiosos e os profanos. Para evitar, a tempo, as confusões que aconteceram e os mal entendidos, será que se realizaram previamente reuniões preparatórias com o padre, com a Fábrica da Igreja e a comissão de mordomos? É que nessas reuniões acertariam toda a programação da festa e assim as actividades decorreriam normalmente. Eu acredito que se tenham reunido. Já não digo é que todos tenham apresentado claramente as suas ideias quanto às festas e ao seu futuro.
   Nos tempos que correm, disponibilizar-se para organizar uma festa, trabalhar um ou dois anos sem ganhar, ser mal compreendido, não é nada fácil. Aos mordomos o que lhes custa mais é a falta de reconhecimento por parte da comunidade e dos seus pastores, mesmo que tenham dado o seu melhor.
   E como vão ser as festas de Malcata no futuro próximo?
   Criar uma Comissão de Festas, fixa, com prémio indexado ao lucro obtido?
   Envolver a Junta de Freguesia na organização da festa ( parte não religiosa ) e a Fábrica da Igreja organizar a componente religiosa?
   Que outras sugestões?

Nota: Por motivos profissionais não estive nas festas deste ano.
          Um louvor e um agradecimento a todas as mulheres e homens que fizeram parte da Comissão
           das festas em honra do Sagrado Coração de Jesus.

terça-feira, setembro 02, 2014

AS FESTA DOS SANTOS

Procissão dos Santos(Foto de Júlio Cruz)
 
 Malcata é uma aldeia do enorme concelho que é o Sabugal. Freguesia com Junta e Assembleia, que para já, continuam a representar o poder político e administrativo do Estado.
A aldeia é também paróquia, integrada na Diocese da Guarda e sob o seu Bispo, é ao padre que cabe a responsabilidade de orientar esta comunidade de fiéis.
Tanto a Junta de Freguesia como a Paróquia são duas instituições que ao longo dos tempos servem de pilar da vida das pessoas que aqui nasceram e  vivem.
Ambas têm prestado um serviço ímpar e têm sido o elo de ligação deste povo.
   Os fregueses de Malcata são então membros de duas grandes instituições: a Junta de Freguesia e a Paróquia. A primeira faz parte do poder político e administrativo do nosso país e é a legítima representante do Estado. Os seus membros directivos são escolhidos pelo povo, através de eleições que se realizam de quatro em quatro anos. Já o mesmo não acontece com a escolha do pároco da comunidade religiosa de Malcata. É escolhido pelo Bispo Diocesano e sem haver consulta ao povo.
   Parece que somos um rebanho sem pastor…o novo padre é senhor de uma personalidade autoritária e está a ter dificuldade em manter o seu rebanho no seu curral uma vez que as ovelhas parecem renitentes em serem domesticadas, como por exemplo, quando vão nas procissões e o pastor lhes pede para formarem duas filas bem alinhadas e não caminharem todos juntos, atrás do andor do seu santo devoto, parecendo mais um rebanho de carneiros. Essa foi uma das dificuldades sentidas pelo padre , pois está a ser difícil manter o equilíbrio na balança de forças e sobretudo em conter os sentimentos reprimidos de alguns paroquianos.
   Para além da ordem na procissão vem ainda a ordem de durante a missa festiva levar os andores para o adro da igreja e dessa forma as pessoas poderem ocupar esses espaços até então ocupados pelos andores e participarem mais activamente nas cerimónias religiosas.
   Aparecer com esta ideia no sábado, véspera do dia da festa e sem que tenha existido um diálogo prévio, só poderia ter o desfecho que teve e as cerimónias ocorreram como nos outros anos. No dia da festa a igreja é realmente pequena e muitas pessoas ficam no exterior ocupando o adro, os degraus das escadas de acesso ao coro e ao campanário e até a sacristia fica superlotada.
   Tal como noutras aldeias, os habitantes de Malcata têm um forte apego e identificação cultural e religioso com a sua terra. Nas conversas de rua ou de café, sobressai o enorme apego, amor e identificação com Malcata, um certo sentimento de necessidade e até emocional de reviver o passado, o qual se torna mais visível nas festas do mês de Agosto. 
   Um acontecimento donde se pode concluir e medir as diferenças nas vivências e significados da religiosidade é a festa de Malcata. Enquanto no passado e até aos anos oitenta a festa, organizada rotativamente pelos mordomos do Sagrado Coração de Jesus e de Nossa Senhora do Rosário, representava o momento auge da vivência religiosa da aldeia e as manifestações “profanas” eram muito poucas, pois para além da arrematação das oferendas ( Ramo ) e do baile animado pela banda filarmónica e tocador de acordeão, hoje estas são bem diversas e mais prolongadas no tempo. E hoje as colaborações que antigamente eram em bens alimentares agora são entregues em dinheiro. As festas de Malcata eram pagas com as contribuições de cada família e das quotas das Irmandades.  De  um dia de festa, que era o domingo, os gastos religiosos eram os dos padres que durante três dias vinham pregar à comunidade e no domingo da festa o pregador fazia o seu eloquente sermão, seguia-se o arranjo dos andores e da igreja, a banda da música filarmónica e os foguetes. Agora os gastos multiplicaram-se e a festa transformou-se numa competição e numa manifestação de prestígio, êxitos e poder que cada grupo de mordomos quer alcançar.      De um dia de festa, agora festejam-se  até 5 dias, com jogos populares, jantaradas, bandas musicais, discotecas móveis, festas da espuma e das pipocas, reconstituições medievais, acrobacias desportivas…levando o povo a embebedar-se de tanta festa. Ou seja, a festa religiosa continua cada vez mais engolida pela festa profana e nota-se uma certa sobre macia do laico sobre o religioso.
A aldeia de Malcata sofreu nestes últimos anos profundas mudanças e as repercussões reflectem-se na organização da freguesia e da paróquia, o que abrange a vida política, social e religiosa dos malcatanhos. A emigração, a Associação Cultural e Desportiva de Malcata, as próprias relações entre os residentes na terra e os que fora dela trabalham levou também a uma mudança e a uma maior influência da aldeia ao que se passa no mundo.
   Em Malcata, o poder está mudado e é disputado entre as várias forças existentes, estando o poder religioso a perder cada vez mais influência, surgindo sinais de discordância sobre quem deve ou não deter o poder sobre os espaços, os equipamentos, as festas e dinheiros que elas geram. E há muitos que querem o poder de poder sem pensarem que exercer  bem o poder é servir bem o povo.