AQUI VOS APRESENTO OS ROSTOS
E
O CENÁRIO QUE NOS AJUDA
A IDENTIFICAR O LUGAR
(para o desafio ficar mais completo)
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| Cada vez mais perto! |
Mais do que um blog, um legado e um cantinho dedicado à preservação da memória coletiva de Malcata, das tradições e costumes e ofícios antigos. Um ponto de encontro para naturais, descendentes e apaixonados pela aldeia que moldou as nossas vidas.
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| Cada vez mais perto! |
Encontrei esta fotografia nas redes sociais. Neste grupo de gente de várias idades há um rosto que reconheço e sei que não me engano. Pessoa conhecida por toda a região sabugalense, natural da nossa aldeia, vivia na Rua da Fonte, animador de festas, casamentos, bailes, ranchos folclóricos...um verdadeiro homem do espectáculo.
| Gente de Malcata (Clicar na foto para ver melhor) |
| Gente de Malcata (Clicar na foto para ver melhor) Legenda da esquerda para a direita: Lena, Ana, Ti Manel, Zé e Ti Santa |
O Mundo rural está a mudar e mais rápido daquilo que muitos pensam.
Recordo-me dos meus tempos de infância e adolescência e do mundo rural que fervilhava na nossa terra. Nós, as crianças e adolescentes, não sabíamos descrever uma ida à praia e muito menos falar das sensações provocadas pela água salgada e a areia que queimava os pés. Quem sabia e vivia junto ao mar é que falava do mar, das ondas e da praia. Nós, os garotos do campo, brincávamos uns com os outros, com os animais que havia em todas as casas. Nenhum nos assustava e desde cedo que estabelecíamos boas relações de confiança e adecto, chegando a pegar nos filhotes das cabras ao colo, ou andar a tentar ensinar a galinha a jogar à macaca...na aldeia havia galinhas e pintainhos, cabras e cabritos, vacas e vitelos, burros, ovelhas, coelhos, patos, porcos, éguas e cavalos, muitas aves e raposas, lobos, javalis...nós, as crianças, crescíamos entre o reino animal irracional mas muito útil nas tarefas do campo. Todos os rapazes e raparigas sabíamos de onde vinha o leite que bebíamos ao pequeno almoço, sabíamos como era feito o queijo e porque alguns cheiravam tão mal, mas todos gostávamos de pôr por cima da fatia de pão.
| Vaca |
| Posto da Guarda Fiscal |
| Aldeia e a serra |
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| Fonte das Bicas |
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| Relógio |
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| Igreja Matriz |
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| Calvário |
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| Sra. dos Caminhos |
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| Barragem do Sabugal (Foto do Jornal do Fundão) BARRAGEM DO SABUGALHÁ 25 ANOS INAUGURADA POR ANTÓNIO GUTERRES |
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| Notícia de 1ªPágina no jornal "AMIGO DO SABUGAL" |
A construção da barragem do Sabugal foi lançada num concurso internacional em 1995. Malcata, foi das freguesias do concelho do Sabugal, a mais sacrificada, tendo-lhe sido "retirados" muitos terrenos, havendo quem afirmasse que por causa da construção da barragem, a freguesia deixou ir os melhores "chãos" agrícolas, os melhores lameiros, moinhos de água, etc. .
Cortar a fita, no dia 1 de Março de 2000, foi o trabalho mais fácil e mais aplaudido por quem rodeava as entidades governativas. O primeiro enchimento só foi concluído em 2001. Começaram com as obras da construção do túnel de transvase e a água foi mantida bem longe da zona da obra. Só em 2007, sete anos após a sua inauguração, foi concluído o segundo enchimento.
Deixo aqui o vídeo da RTP sobre a inauguração:
https://arquivos.rtp.pt/conteudos/inauguracao-da-barragem-do-sabugal/
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| Malcata-Praça do Rossio precisa de ser arrumada |
A Câmara Municipal do Sabugal, de 2021 a
2024, não apresentou qualquer proposta de reabilitação urbana para a Freguesia
de Malcata. E, agora, a poucos meses de irmos para as eleições autárquicas, que
até podem vir a mudar as caras do poder e a distribuição de lugares, vem propor
uma Área de Reabilitação para a freguesia de Malcata.
Isto tem mesmo cara de propaganda
política. Desde a sua aprovação pela Câmara Municipal, às idas e vindas dos
organismos do Estado, que pode levar meses de espera, leva-me a pensar que se trata
de mais uma promessa impossível de ser cumprida por estes dois executivos, o
municipal e o da Junta de Freguesia de Malcata. É que passar do papel ao real,
não se faz da noite para o dia ou do mês de Janeiro para Fevereiro. As etapas
que têm de ser levadas a cabo vão demorar algum tempo a concretizar-se. Duas já
estão concluídas, foram em Janeiro, assunto de deliberação na Reunião da Câmara
e amanhã, 28 de Fevereiro de 2025, vão a votação na sessão da Assembleia Municipal
do Sabugal. E tendo em conta a formação da actual Assembleia Municipal, a
aprovação da ARU está garantida. Depois
seguem-se as etapas seguintes, a começar pelo envio do documento para
publicação em Diário da República; depois irá parar ao Instituto de Habitação e
Reabilitação Urbana (prazo máximo de três anos), para a seguir se proceder à elaboração
da
ORU ( Operação de Reabilitação Urbana); para depois ser aprovado noutra reunião de Câmara, que ainda o terá de publicar e colocar em discussão pública e depois, voltar a enviar outra vez, à Assembleia Municipal, onde será apreciado e votado; se for aprovado, tem de ser enviado para publicação, em Diário da República e depois ficar disponível, para consulta, na página oficial da Câmara Municipal.
ARU da freguesia de Malcata
A Câmara Municipal do Sabugal, em ano de eleições
autárquicas, prepara-se para exibir três cenouras às pessoas das freguesias de
Bendada, Fóios e de Malcata. A estratégia, que até já foi aprovada em reunião
do executivo do concelho, é levar as cenouras à Assembleia Municipal, com data
marcada para o próximo dia 28 de Fevereiro, portanto estamos muito próximos
desse dia. Que se saiba, na freguesia de Malcata ninguém sabe o que se trata,
discussão pública nem a própria Assembleia de Freguesia de Malcata sabe de que
estou aqui a falar. E se o desconhecimento também incluir o presidente da Junta
de Freguesia, aí então está o caldo todo entornado.
Tive acesso à leitura do documento e aqui
estou a partilhar convosco e a minha primeira análise e as minhas primeiras
dúvidas sobre a oportunidade e a urgência da estratégia escolhida pelo município,
que sabendo da realização das eleições autárquicas, lá para o final de Setembro
ou Outubro, vai andar este tempo todo a falar dos planos que foram já aprovados
e que vão trazer muitos benefícios às pessoas.
| Rua do Canto-Rua da Fonte |
Quero aqui deixar claro que, eu não
sou contra as Áreas de Reabilitação Urbana de Malcata, dos Fóios ou da Bendada.
Sou a favor da reabilitação urbana, social e económica da minha aldeia e das
outras todas.
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| Rua de Baixo |
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| Adro da igreja |
-Então, mas o que se passa com a
freguesia de Malcata? Perguntam vocês e com toda a razão.
Vou ser claro e rápido, depois noutro
dia volto ao assunto com mais tempo. Ora bem, o que se está a passar na Câmara
do Sabugal é que os senhores do executivo, isto é, presidente Vítor Proença, vice-presidente,
vereadores do município, aprovaram a Área de Reabilitação Urbana da Freguesia
de Malcata, também a dos Fóios e Bendada. O documento vai ser apresentado e
votado na próxima Assembleia Municipal, reunião que se vai realizar no próximo
dia 28 de Fevereiro de 2025.
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| Edital Assembleia Municipal para 28-02-2025 |
| Piscina |
Algum dos habitantes da nossa aldeia sabe o que
diz essa coisa do ARU? Nesse documento está escrito que os “peritos”
percorreram a freguesia de Malcata e tomaram conhecimento da realidade e da
necessidade de intervir na reabilitação urbana e baseados nesses estudos, riscaram
a área e os limites até onde ela chega, pois, todo o edificado e espaços
públicos, irão ficar abrangidos pelos benefícios e obrigações aprovados na tal
ARU e respeitando as leis do Estado. Ter uma área definida é legal, é bom. Só
que ter uma área urbana, sem a participação da Junta de Freguesia, da
Assembleia de Freguesia e sem se discutir em público, é perigoso e pode trazer
chatices futuras, incompreensões e recusas em aplicar as medidas que a ARU
define como necessárias.
| Estação Elevatória de Malcata |
No documento que li, em lado nenhum estão definidas as
intervenções públicas, nos espaços comuns, nos terrenos de particulares, de concreto
a ser feitas, quem as executa e quem as paga. Apenas referências gerais, que
fazem parte de qualquer ARU neste país. E aquilo que parece tão simples de
fazer, pegar no mapa da freguesia e riscar a vermelho as linhas que não se
podem pular, podem transformar-se num pesadelo para algumas pessoas da nossa freguesia,
que como donos e proprietários legítimos, podem vir a ser expropriados, ser
forçados a vender ou a deixar espaço para servidões e até à obrigação de ser
obrigados a fazer obras onde não estavam a pensar fazer. E estas coisas, menos
boas, a boazinha câmara municipal, nem se pronuncia nesta ARU. Porque será?
Será que, em ano de eleições, há que mostrar que vão fazer o que nunca fizeram?
É muito fácil elaborar esta ARU, assim como está, sem mencionar que
infraestruturas, equipamentos públicos, espaços verdes e espaços urbanos vão
mesmo ser reabilitados.
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| Praça do Rossio |
Quanto dinheiro
público vão investir na freguesia? Nós, os particulares e proprietários,
sabemos que há benefícios e apoios. E eu sei, que cabe a cada proprietário
fazer requerimento à Câmara do que pretende reabilitar. E quem não sabe,
aqueles que só acreditam quando lhes dizem o que devem fazer? E se algum
proprietário não quiser fazer as obras que a Câmara achar necessárias, ou que
não as terminem dentro do prazo, o que vai acontecer? Expropriam e declaram
utilidade pública? Depois das obras feitas, quanto tempo têm os proprietários
para pagar?
E vou terminar com mais estas perguntas:
A Junta de Freguesia levou este documento "ARU" à votação da Assembleia de Freguesia? E o que ficou decidido?
Bem, chega de questões e quem arranjar
tempo e paciência para ler, pode pesquisar na internet estas palavras: DL nº
307/2009 ....
https://diariodarepublica.pt/dr/detalhe/decreto-lei/307-2009-483155
José Nunes Martins