A aldeia de Malcata, pode até ser considerada aquela que apresenta a entrada mais bela e com uma
fantástica paisagem. Mas a sua beldade também é feita de alguns pequenos
pormenores. E quanto a dar importância às coisas, eu facilmente me perco e fixo
neles, principalmente naquelas situações em que a grande diferença e os êxitos,
por vezes, estão precisamente nos detalhes mais simples e mais pequenos. Para
mim amar Malcata é também saber olhar para os pequenos detalhes, o que
normalmente todos olham, mas são muito poucos os que deles falam. Os espaços públicos da nossa freguesia
têm que existir e contribuir para atrair os habitantes da freguesia e quem a
visita. Sempre que se pretende mexer nos espaços públicos, quem o faz, tem com
certeza a ideia que vai melhorar ainda mais aquele lugar. Sabemos que quem
governa a aldeia é que tem o poder de mandar executar. Vivendo nós numa
democracia, ficava bem que algumas decisões, antes de aprovadas para execução,
fossem colocadas em consulta pública e durante determinado espaço temporal as
pessoas terem oportunidade de consultar e assimilar o que está em causa, dando
até contributos para uma decisão mais abrangente. Desconheço como foi decidido a colocação do
busto de Camões onde ele se encontra. O que sei é que a freguesia assimilou bem
o novo ordenamento daquele espaço. A freguesia sentiu e continua a sentir-se
agradecida pela homenagem que quiseram oferecer. Um lugar onde havia
castanheiros, sem nome, sem identidade, a partir de 1965 passou a chamar-se “Camões”. E em Malcata tenho a certeza que há
lugares e espaços públicos a precisar de serem valorizados, de se transformar
em lugares atraentes. Não tenho dúvidas que a pintura do lince em Malcata, foi
com a intenção de melhorar o Largo de Camões, atrair visitantes à freguesia e ser
uma forma de lembrar uma das marcas identitárias da nossa aldeia. Se assim não
foi, se foi simplesmente para imitar o que outras aldeias já têm, não querendo a
nossa terra ficar para trás, então a coisa complica-se ainda mais. Gosto do
lince e aprecio aquele lince pintado por Styler. A qualidade do artista e do
seu trabalho é boa. gosto do colorido, tem vida de felino e os olhos dele
seguem quem ali passa. Infelizmente já não consigo estar de acordo com a
escolha daquelas paredes para o lince, mesmo até sabendo que a ideia foi dada
pelo artista. Sabem, não consigo encontrar uma ligação, uma particularidade que
ligue o Camões com o lince, ou dizendo de outra maneira, entre o que já existia
e o que agora lá foi deixado. Ficou melhor o espaço? A pintura veio dar mais
valor ao busto? Como se vê, são algumas das perguntas que eu me faço a mim
mesmo. É que, por muito que imagine, aquele espaço não ficou melhor e está ali
uma atração nova que ainda vai dar que falar. Não faltavam e não faltam espaços
públicos na freguesia à espera de visibilidade e atração. Termino com uns pozinhos de
ironia, sem maledicência, com um conselho aos futuros governantes: por
favor, não mandem escrever os versos do
Camões nas paredes do CILI, mas pelo menos, pintem coelhos! José Martins
Sem comentários:
Enviar um comentário