09 março 2011

O ENTRUDO NA ALDEIA

  
 O CÂNTARO E AS BUGALHAS
Atirar um cântaro de barro para dentro da casa da moçoila nada diz para um qualquer grupo de jovens desta "geração à rasca".
   Mas nos anos 50, 60 os rapazes da raia, na região do Sabugal, curtiam à brava e era uma das brincadeiras preferidas da juventude da "geração emigração". E aquilo até não tinha grande dificuldade em levar a cabo. Tratava-se de pegar num cântaro de barro inutilizado, encher com bugalhas secas e escolher a vítima. Em grupo a brincadeira tinha outro sabor e por isso na noite vespertina da terça feira do entrudo ( carnaval ), juntavam-se e com o(s) cântaros preparados, escolhiam as casas das vítimas e tinham preferência por aquelas onde havia raparigas em idade de namorar. Depois de anoitecer, protegidos pela escuridão da noite e apenas com a luz da lua, iam até à primeira casa a visitar. O grupo escondia-se debaixo da varanda da casa. No momento certo, um elemento subia com muito cuidado as escaleras ( escadas ), seguia-o um segundo rapaz carregado com o cântaro de barro. Ao primeiro competia abrir com cuidado a porta da casa e ao segundo, assim que a porta abria lançava com toda a força o cântaro para o soalho da casa. Imediatamente fugiam juntamente com os outros elementos do grupo.
   O estrondo do cântaro ao bater no chão é tal que os donos da casa ficam assustados. A conversa à lareira foi abruptamente interrompida e apesar de rapidamente se levantarem dos bancos, deparam-se com muitas bugalhas e alguns cacos de barro espalhados por todo o soalho que lhes dificulta a perseguição aos atrevidos rapazes. Resta-lhes limparem o chão e depois de tentativas falhadas em saber quem teria sido, riam e voltavam a sentar-se junto à lareira.
   Mas havia famílias que reagiam "mal" a estas brincadeiras...e não gostavam de ficar sem resposta ripostando mais tarde.

OUTRAS PARTIDAS DO ENTRUDO




   No entrudo, para além da brincadeira do cântaro de barro e as bugalhas secas dos carvalhos, os rapazes divertiam-se também a assaltar as lojas e sem o dono dar conta, levavam a vaca, o burro, a cabra ou o que lá houvesse e escondiam noutra loja até ao amanhecer. Na manhã de terça-feira, os rapazes mascaravam-se e montados nos burros, percorriam as ruas de Malcata. Até ao desfile da burraria ninguém sabia onde eles se encontravam escondidos. Com os outros animais, cada dono teria que procurar nas lojas dos outros vizinhos e o remédio era depois de encontrar voltar a levar para a loja devida.
   Era entrudo, era Carnaval e ninguém levava a mal.

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