04 maio 2017

É URGENTE O DIÁLOGO






    Há uns tempos atrás falei-vos do que pensava acerca de alguns nomes atribuídos a algumas ruas de Malcata. Longe de mim imaginar que ia causar tantas reacções e comentários por ter expressado apenas a minha opinião.

   Para mim são águas que já desaguaram na albufeira da barragem. Fiquei com a sensação que pior do que não concordar e falar sobre determinado assunto, seja de que natureza for, é não estar de acordo com isto ou com aquilo e ficar calado. Para mim até é mais sossego ficar calado, deixar as coisas andar e fazendo de conta que tudo está bem, tudo está em paz. Só que na verdade essa paz é uma paz podre e não beneficia ninguém, é como se vivêssemos com a cabeça enterrada na terra para não observar o que se passa à nossa volta.
        Mas digam-me lá uma coisa, o ficar calado ou olhar para o lado, andando pelas ruas da aldeia de olhos postos nas pedras da calçada, não caminhando a olhar para a frente ajuda a esquecer ou falar sobre aquilo que nos incomoda? Analisemos então friamente e sem preconceito de espécie alguma o que tem acontecido nestes últimos anos na nossa terra. Começo por vos referir aquelas reuniões que se fizeram com a ZIF de Malcata, a reunião que a Junta de Freguesia convocou para esclarecer a população sobre a instalação da antena de telemóveis. Já sei que alguns pensam que estes assuntos não lhes dizem respeito, não vos quereis chatear, tendes receio de melindrar alguém ou então não sabem como lhes falar dos assuntos. E o mais fácil é fazer vista grossa. Só que com o passar do tempo, muito silêncio sobre muito silêncio, enchem o copo e vai chegar o momento de substituir a toalha que ficou molhada porque deixaram encher demasiado o copo vazio. Ora com toalha molhada a seguir podemos continuar a entornar a tigela da sopa, aumenta o desconforto, os nervos revoltam-se e lá se vai aquele ambiente de paz e está tudo bem. Chegados aqui, vêm as divisões, as vinganças e a raiva. Tudo isto misturado resulta numa autêntica salada russa, misturamos alhos com bugalhos, um assunto com o outro e um assunto nada tem a ver com o que naquele momento se está a falar ou a esclarecer.
        Ó quantas e quantas vezes já falei e escrevi e ninguém disse que escrevi isto ou aquilo!
        Eu sou dos que acreditam naquela ideia de que Malcata se pode transformar e acredito que as boas relações institucionais, o diálogo e a união é sempre uma possibilidade. Mas para isso acontecer há que cada um de nós e todos em comum beber os copos cheios, deixar os copos vazios, deixar esvaziar as más memórias. As memórias de dor e voltar a beber à saúde de todos para o bem de todos.
   

José Nunes Martins
josnumar@gmail.com







     

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