15 abril 2013

OS SINOS TAMBÉM FALAM

Campanário da igreja matriz

     Ao chegar a Malcata não se assuste se de repente ouvir o som dos sinos. É ainda normal escutar esses sons na aldeia e nos campos que a rodeiam. E é normal que quem venha a esta aldeia pense e se interrogue porque estão os sinos a tocar.
   Acredito que, se perguntar a uma pessoa da aldeia que esteja ao seu lado e já for de idade avançada, obterá uma resposta acertada, mas se fizer essa mesma pergunta a um jovem, quase de certeza que não satisfará a sua curiosidade.
   Na nossa aldeia existem três sinos em pleno funcionamento: dois no campanário da Igreja Matriz e outro na Torre do Relógio. Durante muitos anos estes três sinos têm sido importantes na vida quotidiana das pessoas da aldeia. Os sinos do campanário continuam a enviar a mensagem a quem deseja participar nas diversas cerimónias religiosas que ao longo do ano se realizam na igreja, agora de cara renovada. E também o sino da torre do relógio continua a ser o marcador do tempo para muitas pessoas.
 
   



Última chamada para a missa

   Será que o toque dos sinos sempre foi feito como o sacristão o faz hoje? E por que razão só os homens tocavam e ainda hoje, é deles o exclusivo desta tarefa? Alguma vez os sinos terão sido tocados através da ajuda de cordas? Sabiam que há variados tipos de toques?
   A verdade é que na aldeia continuamos a poder ouvir os três sinos a tocar sempre que é necessário. Por mais quantos anos vamos continuar a ouvir os sinos do campanário? Hoje já muitas pessoas deixaram de dar importância ao som dos sinos. Aquilo que hoje chamamos internet e comunicação digital, desde há muitos anos que os sinos serviam de mensageiros rápidos e sem interferências no envio das mensagens importantes que eram necessário e urgente às vezes, transmitir ao povo.
   E o sino da torre do relógio? Lá continua a resistir e a transmitir as horas e as meias horas a quem quiser ouvir. Hoje o martelo eléctrico substitui os dois pêndulos que durante anos e anos davam a corda ao relógio e ajudavam os ponteiros a passar as horas do dia e da noite. Nunca compreendi a decisão desta mudança na forma de o relógio trabalhar, mas ninguém me venha dizer que a electricidade é melhor do que as duas pedras. Na altura deviam ter reparado o que estava defeituoso e nunca terem destruído uma sistema que hoje faria  do relógio uma máquina invulgar e única. 



São 5 horas da tarde no relógio da torre
        Como vêem, os sinos também falam e ainda conseguem enviar mensagens sem erros, desde que o operador saiba badalar correctamente.
   

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