04 outubro 2011

A RAPOSA DA MALCATA

Perdoem-me por dedicar esta mensagem a José Lucas, um homem grande. Este homem grande nasceu em Malcata e até aos 18 anos percorreu os vales e montes da serra que rodeiam a aldeia. Foi para terras de França trabalhar mas sempre com tempo para aprender. A pintura e a música transformaram a vida de José. Depois de umas dezenas de anos em França, regressou a Malcata e aos caminhos, montes e vales da serra. Os ares puros e limpos da serra da Malcata e as recordações de infância levaram este malcatanho a entranhar-se todos os dias a caminhadas que tão bem têm feito à sua saúde. Pelo amanhecer ou pelo anoitecer, só ou na companhia da sua esposa, José Lucas de lanterna na mão e dois bastões deixa-se diluir por meio de pinheiros e carquejas e nunca se mostra saturado de andar. E foi numa noite de luar, na companhia da sua esposa, José Lucas cativou uma raposa.E tal como no livro "O Principezinho", José Lucas voltou ao local de encontro durante várias noites até que o encontro aconteceu. Contou-me o José que um dia, na época da caça, depois de encontrar a raposa, afastaram-se os dois para zonas onde os caçadores estavam proibidos de caçar. Neste Verão senti o José muito preocupado com o futuro da raposa. A sua amiga casou-se e dera à luz pelo menos quatro filhotes. A liberdade para José é um valor dos mais nobres e está lentamente a afastar-se da raposa, pois não deseja interferir na vida familiar da raposa. E pela reacção do José percebi o sofrimento que este afastamento lhe está a causar. Muitos segredos têm os dois para contar.
P.S. : Estas fotografias foram-me cedidas por José Lucas.

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