01/10/2023

EM MALCATA NÃO SE DEBATE POLÍTICA

 


   O debate político em Malcata está morto e há muito tempo. Na nossa aldeia a política não é assunto de conversa e muito menos de discussão, sendo os próprios autarcas, esses sim, exercem funções políticas, mas nenhum deles tem sido um divulgador das políticas que norteiam as suas acções. Na nossa terra não há pessoas que tenham coragem e iniciativa para um debate de ideias, de políticas locais. As eleições são para ir votar e a partir do dia seguinte só os vencedores celebram. Quem perde, desaparece e foge da política, que mais parece o diabo a fugir da cruz.
   Nestas últimas votações autárquicas a política foi mesmo maltratada por aqueles que dela parece precisar. A política em Malcata foi posta de lado pelos socialistas e nem sequer se apresentaram a votação. Por isso, a lista dos sociais-democratas (PPD/PSD)
tinham o caminho desimpedido para um segundo mandato.
   Chegados ao meio deste mandato, pelo rumo que a política está a ir, é quase certo imaginar o futuro político em relação ao poder local autárquico. A oposição foi de férias e ninguém sabe quando regressam à política. Alguns pensam que dois anos é ainda muito tempo e demasiado cedo para entrar em cena e no debate político. Os que defendem ou que simplesmente votaram, alguns nem sequer sabem em quem, também não estão para complicar ou para se maçarem e façam lá o que fizerem, a resposta é que “eles é que sabem”. E falar agora de estratégia é falar chinês, não entendem e nem querem entender.
   Em Malcata, pensar e falar em lugares públicos tem que manter-se vigilante e atento às movimentações em redor. Eles e elas veem e poem-se disfarçadamente à escuta para depois contar ao seu Senhor. E aquelas pessoas que só falam com quem concordam? Falam e ouvem tudo, mas nem a um bom-dia ou boa-tarde respondem? Falta de cultura e inteligência não é com toda a certeza o digo. São pessoas que sabem ler e escrever, com cursos e cargos em grandes empresas e algumas até acompanham a política nacional, a regional e a concelhia. A idade pesa cada vez mais e sem se darem conta,
são dominados por atitudes impróprias, incompreensíveis e incorrectas na forma como se relacionam com quem fala e pensa diferente, deixam simplesmente de saudar e em vez de olhar olhos nos olhos, fixam o olhar nas pedras da calçada.
   E assim vai o debate político na nossa freguesia…comer e calar, porque se houver atrevimento de perguntar, discutir, combinar a constituição de uma lista de outra cor que não a cor laranja, alguém se encarregará de lançar a confusão e não descansarão até acabar com as ideias de outras pessoas.
                                                                              José Nunes Martins

27/09/2023

MALCATA: A PORTA DA JUNTA É SERVENTIA DOS FREGUESES DE MALCATA

 


   











   Esta semana
houve sessão ordinária da Assembleia de Freguesia da nossa aldeia. Não estive presente mas costumo marcar presença sempre que posso.     Desta vez, soube da dita reunião muito em cima da data e também por “impedimentos” de assistência à família não deu para me deslocar de Matosinhos a Malcata.
   Podem não acreditar no que eu estou a pensar, mas tenho um feeling que  as cadeiras reservadas ao público só ocuparam espaço e nem sequer aqueceram.
   Dessa reunião da Assembleia de Freguesia de Malcata, realizada, supostamente, na Junta de Freguesia, sei o mesmo que os fregueses que residem na nossa aldeia: nada! Ora antes da reunião, já eu sabia que o pato nada…a pescada já o é, mesmo antes de ser pescada…e como todos os peixes, também nada!
   E eu que esperava que, desta vez, alguém da Junta de Freguesia viesse dar uma palavra de esperança e de conforto a todos os malcatenhos, sobretudo aos emigrantes, sobre a verdade das contas da festa deste ano…esclarecer o que é verdade e o que é mentira e que tem andado a ser empurrada e ignorada sem qualquer mostra de preocupação do nome da nossa freguesia estar a ser enxovalhado pela região como uma terra de “amigos do alheio” e que não sabem fazer contas certas...foi apenas um sonho meu, porque moro longe daí e tanto gostava de ler notícias vindas de longe! Sonho meu!
   Sei que há assuntos muito mais importantes para se debater nas assembleias. Mas com uma Ordem de Trabalhos tão abrangente, também se arranjam uns minutos para a assembleia se pronunciar sobre as festas da freguesia, em especial a deste ano, ou não? E como está a água da barragem, a ruptura dos tubos que conduzem a água até às bicas da fonte? E então o bardo lá prós baldios já se encheu de mé més ou o rebanho perdeu-se por falta de orientação? E que diz a Junta e a Assembleia sobre a consulta pública que está a decorrer de 21 deste mês de Setembro a 3 de Novembro? Já resolveram o problema das bombas que abastecem o depósito localizado à Rasa?
   Ah, lembro ao senhor Presidente da Mesa da Assembleia de Freguesia e aos restantes membros da dita, para ler com atenção o Regimento da Assembleia de Freguesia, nomeadamente o Artº. 25º-1,  é que eu não entendo o que lá diz. Para mim faria muito mais sentido que, neste ponto 1 do referido artigo, estivesse dito que as Assembleias de Freguesia são reuniões de porta aberta, por isso são públicas e fixar que, nos termos do Regimento da Assembleia, um período para intervenção e esclarecimento ao público. Agora regimentar no sentido de depois de terminada a sessão, os membros poderem continuar a trocar ideias e mimos, sugestões e outras coisas...que o tivessem feito durante a sessão! Os cidadãos do público presentes na sala para intervir na reunião têm de o fazer no seu período reservado à Intervenção do Público.  E os membros da Assembleia como não gostam de ouvir o público antes deles falarem, aprovaram um regimento que os obriga a aguentar em silêncio e de boca calada assistir ao desenrolar da reunião, ficando sem compreender metade do que eles dizem porque alguns membros da Assembleia estão sentados de costas para o Zé Povinho e depois admiram-se que quem está nas cadeiras reservadas ao público, perca muitas vezes o fio à meada e como não pode interromper o orador, membro por direito e primeiro a falar...a vontade é levantar-se e pela calada sair da sala para apanhar ar porque preciso dele para viver mas passa bem sem aqueles que estava a tentar ouvir. Ainda não percebi a lógica deste regimento da assembleia de freguesia. Ter um período reservado ao público no fim da ordem de trabalhos, no meu entender, é quase um pedido para não aparecer nas reuniões. Posso ir, sentar-me e ninguém me pede para sair ou falar, o regimento não permite. Tenho que aguentar que todos os outros assuntos sejam apresentados, discutidos e votados. Já dá para perceber um pouco as causas que afastam o cidadão do poder local. O cidadão cansa-se de tanto tempo à espera e desinteressa-se, aborrece-se e por isso não nasceu para ficar tanto tempo mudo e calado.  Alterem o actual Regimento da Assembleia de Freguesia tendo em conta o Artigo 25º, ponto 1 e coloquem a Intervenção do Público no início das sessões. Com esta alteração e uma sensibilização pública na freguesia, convocando uma vez por ano a sessão da Assembleia de Freguesia para fora da Junta de Freguesia, com espaço para pessoas, cadeiras, instalação sonora, e uma Ordem de Trabalhos ambiciosa, até a juventude vai estar lá! E para que isto seja real, precisamos da boa vontade dos membros da assembleia de freguesia.
                                                           José Nunes Martins

24/09/2023

MALCATA: AS TARDES DOS DOMINGOS



                                                            
  
    Lembro-me do tempo em que havia baile aos domingos. De manhã o povo ia rezar a missa e depois do jantar (almoço) os rapazes iam aparecendo ao Rossio. As moças ficavam por casa a acabar de lavar os pratos e panelas, a varrer a cozinha e sempre com os ouvidos atentos para ouvir a concertina do Carlos Coelho ou do Fernando Cego (era invisual e daí esta alcunha) anunciando que ia haver baile.
   Missa, jogo de cartas e baile eram as três coisas mais importantes que se faziam aos domingos à tarde na nossa aldeia. O Rossio e os namoros no baile ao som da concertina aconteciam à vista de toda a gente, em especial à vista das famílias dos dançantes. O baile era um momento romântico, aceitado pelas mães das raparigas como uma prova de carinho, de respeito, mesmo que o par controlasse os sentimentos e um aperto ou um beijo, o par continuava a sua dança.
   Algumas vezes havia rapazes a quem as raparigas respondiam que não queriam dançar com eles. Às vezes o rapaz ficava envergonhado pela recusa retirava-se e os amigos faziam mangação dele porque tinha acabado de levar uma “tampa”. E nalguns casos,
acabavam em zaragata, com murros e empurrões, copos e garrafas partidas em cabeças, alguns pontapés e a certa altura os agressores desapareciam para nunca mais serem vistos no baile daquele domingo.
   Vale a pena voltar a lembrar as tardes do domingo na aldeia, se vale!

                                                                 José Nunes Martins