24/01/2026

PRESERVAR A TRADIÇÃO DA MATANÇA DO PORCO

 

Desmancha do porco em Malcata
(Tio Manel Augusto, avô João Pires e Carmo, minha companheira)

 A Associação Cultural e Desportiva de Malcata, na freguesia de Malcata, organizou para amanhã, 25 de Janeiro de 2026, mais um almoço convívio, (matança do porco).
 Neste almoço é o porco o rei da ementa, a fazer lembrar as matanças. O cartaz limita-se a publicitar o almoço e claro que está subentendido que os participantes poderão saborear pratos associados à carne do porco. O programa é omisso e não revela qualquer animação ou actividade para além do dito almoço convívio entre os participantes. 

 Mais uma almoço que se destaca apenas pelo ajuntamento de algumas pessoas que a organização aceitou durante o prazo de inscrição.
 O foco desta actividade está bem longe da tradicional matança e da preocupação na preservação cultural da matança do porco. Ao valorizar o convívio de comer carne de porco, a convite da associação, nada tem de especial, pois em qualquer altura do ano se pode comer carne de porco. Sim, é verdade que valoriza o convívio entre as pessoas que participam e a associação quer mostrar que está a defender e a preservar as tradições da matança. Estará mesmo interessada em lutar pela preservação da tradição? O convívio à mesa é sempre bom e deve ser sempre cultivado. Preservar, valorizar, enaltecer, divulgar os saberes e sabores da matança à moda da nossa aldeia, é muito mais trabalhoso e exigente, tanto na sua preparação como na apresentação e realização no dia combinado. Assim como vai fazer a ACDM, é pouco ambicioso e perde-se a oportunidade de transmitir às gerações do futuro uma tradição que nos foi legada pelos nossos antepassados (avós, pais). Porque uma matança do porco não é apenas comer carne de porco. E a associação, que tem nos seus estatutos defender, preservar, valorizar a cultura e o desporto, preocupa-se somente em juntar os sócios e não sócios para conviver e comer.
 É claro que para comer e conviver, num evento que junta pessoas de todas as idades e que até vêm de vários pontos do país para comer e conviver umas horas, a sala tem enchente garantida.
 A mim o que me deixa preocupado não é o almoço e as pessoas que nele vão participar. O que me deixa um pouco triste e cabisbaixo é verificar que as tradições que são a minha identidade com a aldeia onde nasci e cujas tradições vivi na minha infância com os meus familiares, vizinhos e todos os habitantes da aldeia, se esteja a desvalorizar, a aligeirar e a esquecer
toda a sua autenticidade. É por isto que participar num mero almoço convívio, que se pretende “colar”, “fazer crer”, que se está a preservar e a recriar a matança do porco de antigamente, teria que haver momentos bem mais ambiciosos e diferentes dos que estão no programa de amanhã. Mesmo com as imposições das leis, mesmo que o “marrano” tenha que ser abatido no matadouro autorizado, todos os passos seguintes da matança tradicional podem e devem ser feitos. E são tantos os passos da matança que dão para os participantes observar e até viver a experiência única de ajudar a “grande família de Malcata” a preservar a tradição da matança. Pegar na palha para queimar a pelugem, com a ajuda da carqueja ou de uma pedra, esfregar a pele do porco ao mesmo tempo que lhe deitam água quente em cima, entregar um troço enrolado de palha a um dos forasteiros, para ele levantar o rabo do animal e proceder à limpeza interna…ou então introduzir um par de unhas do animal, no bolso do casaco do emproado e distraído e soltar umas gargalhadas quando ele metesse as mãos ao bolso…ajudar a levar aos ombros o porco para ser pesado com a roldana e segurar no chambaril que o  vai sustentar de cabeça para baixo, por dois ou três dias…e a desmancha?
 Ah, isso é coisa de homens. E as mulheres ficam a ver? Calma Manel, sossega que para as mulheres não ficarem a olhar os homens a trabalhar e a rir, para elas e as filhas, está uma tarefa diferente, mais delicada e com responsabilidade muito grande. A tarefa das mulheres é acompanhar as Marias da aldeia até ao ribeiro e ajudar a lavar as tripas…enquanto outras ficam na cozinha da associação com a tarefa de olhar e aprender a cozinhar nas panelas de ferro.
 E isto que acabo de lembrar é apenas parte da matança do porco, à moda dos nossos antepassados. A desmancha, por exemplo, é também uma parte importante da matança. O pegar na “enchideira” e na tripa numa mão e com a outra cheia de carnes, enfiar tripa abaixo até cima, atar o baraço e sorrir pelo ter conseguido encher uma morcela, chouriça ou mesmo um “colhoto”…
 A matança dava muito trabalho. E preservar a cultura popular também.
 Vale a pena pensar nestas tradições, nos convívios e nos valores que as tradições têm na identidade cultural e social da nossa terra.
 Com um programa cultural como o que descrevi ou mesmo mais bem pensado ou até aligeirado, a freguesia de Malcata ganhava outra importância e a união e entre ajuda contribuiriam para a transmissão destes princípios de vida aos malcatenhos vindouros.
 Para comer carne de porco, fico-me por aqui, que diga-se a verdade, os rojões de porco à moda do Minho, estavam no ponto!
 Bom apetite para amanhã.

22/01/2026

VIVER A VIDA SEM PASSADO NÃO PRESTA



 Não deixem que o passado se apague, devemos todos fazer alguma coisa para que tal não aconteça. E essa luta não a podemos atirar para cima das costas da Junta de Freguesia. Há pessoas na aldeia, logo há cérebros e inteligência humana. Por isso, as pessoas de Malcata devem manifestar e exigir o que é melhor para todos, para os filhos e netos.

 Veja-se alguns exemplos de investimentos de milhares de euros, dinheiro de todos nós, e que resultados estão à vista?  O alojamento local instalado no antigo quartel da Guarda Fiscal, o rebanho das cabras sapadoras, dois empreendimentos avultados e importantes para o desenvolvimento económico e social da nossa terra. Alguém sabe como estão, como funcionam, quem os procura? Poucos estão informados e parece que também não lhe dão importância. Há muito a ganhar e Malcata tem muito a ganhar se as pessoas de Malcata mostrarem interesse em ganhar e dar a ganhar.

 

21/01/2026

MALCATA : LUGAR ÀS TRADIÇÕES DA MATANÇA

 


No dia 25 de Janeiro, próximo domingo, a ACDM (Associação Cultural e Desportiva de Malcata), vai realizar um Almoço Convívio centrado na Matança do Porco. A poucos dias do evento, com toda a certeza, já alguns associados estão a tratar do que há a tratar, e bem, porque preparar um almoço para muitas pessoas é sempre trabalhoso, ou seja, precisa-se de tempo e muita loiça para bem servir. E quando a associação convida, há que receber bem.
 O convite é claro, convida-se para participar um almoço de convívio, com comida e boa disposição. Não se exige ou pede colaboração para ajudar a queimar o marrano com palha ou lavar a pele do bicho com água aquecida. Essa tarefa já está atribuída a um grupo e eles e elas tratam de todas as coisas, aos convidados basta reservar o lugar à mesa e sentar para comer.
 Ora assim sim, é um almoço convívio, festivaleiro e a matança é mesmo o que menos interessa…o que não deixa de ser engraçado e preocupante diria eu! É claro que para os participantes o que importa é haver o que comer, mesmo que seja a pagar, é pelo convívio que ali vão. Bem, mas por onde estou eu a caminhar a escrita? Valha-me Deus, os almoços das matanças, mais chamados “jantares” davam cá uma trabalheira à minha mãe, vou-vos contar, a pobre mulher acabava tão cansada, mas contente por tudo ter corrido bem e já tinha sustento para o ano.
 A nossa vida às vezes dá voltas e reviravoltas e por muitas coisas que aconteçam, regressamos aos momentos onde fomos felizes. E a época das matanças, ainda agora, chamam muita gente quando se anunciam.
 Mas quem liga à matança do porco? Quem se dispõe a percorrer quilómetros de estrada para comer carne de porco? Quem no seu juízo perfeito valoriza a matança tradicional, a que agora envergonha e em vez de preservar o que defendem é esconder, suavizar o que antigamente era como pão para a boca, era a regra da boa sustentabilidade familiar? Todas estas perguntas não existiriam se as pessoas fossem convidadas a participar numa matança tradicional, daquelas cenas da nossa aldeia que se matavam porcos todos os dias, durante uma a duas semanas não se fazia outra coisa, matança hoje na casa da Ti Irene, amanhã era o Ti Manel, depois a da Benvinda, a da Ti Rosa, do Ti Quim Triste…ia-se ajudar para ser ajudado. E depois do trabalho, então sim, era hora do jantar e do convívio.
 Hoje organizam-se almoços de convívio, não se diz que primeiro há trabalho para se fazer, carne a aprontar e que vai ser para comer fresca, logo assada na brasa só com umas areias de sal grosso e em cima do naco do pão, meter na boca, mastigar e beber para ajudar a ir… cheiro a carne por todo o lado, pele queimada, unhas negras e rabo esfolado, mas o bicho bem lavadinho e limpo pelo troço da couve, levado por quatro homens que antes de o pendurarem no chambaril, deve ser pesado e bem pesado com a balança “romana” essa barra de ferro com umas marcas e um peso, sem grandes instruções de uso, mas certeira para revelar as arrobas do marrano.  
 E isto é só uma pequena parte do trabalho que dava uma matança tradicional! Portanto, um almoço convívio como o de 25 de Janeiro, não tem nada a ver com a tradição da matança do porco! As tradições e os usos dão muito trabalho, mesmo quando se trata de demonstração, recriação! No almoço convívio não se ensina quase nada sobre a matança, está tudo morto e pronto à mesa, é só comer. Já me imagino um garoto a perguntar ao avô o que era a matança dos tempos quando andava na escola e ele simplesmente lhe responde que era a vida, era preciso matar o porco se queriam comer carne e agora, se o neto quiser saber mais, que abra a janela do computador e espreite com atenção, lá ensinam tudo, até dizem como faziam a matança!!!!
 Pois é meus caros, a pressa da nossa sociedade é inimiga da tradição. Por isso mesmo e porque não se preserva a tradição da matança, não sou eu que me meto à estrada para participar num almoço convívio, mais uma das actividades habituais organizadas por uma associação cultural…mas na verdade a cultura não é da mesma casta que eu conheci. Estamos a caminhar para o esquecimento da tradição genuína e que representava a essência do nosso povo, identificava os costumes e os usos e esses valores de convívio e entreajuda só se encontram e sentem cada vez que há celebrações nesse sentido e com esse propósito de continuar a mostrar as nossas raízes, as nossas identidades e o nosso amor aos nossos antepassados, à nossa terra.
 Eu tanto gostava de estar a escrever sobre o trabalho árduo mas essencial, do programa das actividades culturais da associação e o seu objectivo de promover e preservar a cultura dos malcatenhos, tenho que me contentar pela divulgação habitual de mais um almoço convívio em Malcata. Bom almoço para todos! Deixo aqui o cartaz:





 


 

 

OS SEGREDOS DA SUSTENTABILIDADE DAS FAMÍLIAS DE MALCATA

  

          Foi durante séculos um dos pilares
   da sustentabilidade económica de muitas famílias.

O marrano era também porco

 

 
A matança do porco era uma tradição que se fazia em muitas aldeias do nosso país. Por várias razões e mais alguma que eu não sei, esta tradição, pelo menos em Malcata, está a desaparecer. Agora já se contam pelos dedos de uma mão as famílias que ainda criam porcos para a matança. As facas para matar o porco ainda existem à venda. Mas a tecnologia também já chegou ao povoado, até o chamuscar do animal deixou de ser com palha e agora usam um maçarico a gás que tosta mais depressa os pelos e para o lavarem, ainda não vi usar aquelas máquinas de lavar automóveis, mas se calhar estou enganado e já se lavam os porcos como se lavam os automóveis, sem sabão mas como muita água e a sair com pressão para limpar de vez sem esfregar com carqueja ou pedras.

 Eu em criança nunca gostei de ver ou ouvir o porco a morrer. Outros garotos faziam a festa logo pela manhã, brincavam e entretinham-se a segurar o porco pelo rabo…não fosse ele fugir.
 O período das matanças eram dias e dias a comer e a fazer o mesmo. Os homens e as mulheres já faziam aquilo de olhos fechados.
 Hoje a lei já permite a realização da matança. Claro que há regras a respeitar e as autoridades andam vigilantes, as associações de defesa dos direitos dos animais também espreitam estas épocas para se dar a conhecer.
 Em Malcata, há é a necessidade de defender melhor esta tradição, mesmo que com as alterações a que a lei faz referência, hoje é possível reviver o espírito da tradicional matança do porco.
 E embora a matança já não signifique o arrecadar da carne para o ano inteiro, as pessoas continuam a gostar da carne de porco, das morcelas, chouriças e presuntos. Outras iguarias são também apreciadas, como os rojões, o cozido português, o vinho, um entrecosto grelhado e claro a festa. 
 PS: enviem as suas histórias sobre o tema.

18/01/2026

QUALIDADE DA ÁGUA EM MALCATA

    ´

      ÁGUA DA FREGUESIA NÃO É TOTOLOTO!
              Pode estar em risco
                  a saúde pública.
                
 


Reservatório de água


 As pessoas que residem permanentemente na nossa aldeia, devem mostrar maior interesse e preocupação pelo que vai acontecendo na freguesia, por exemplo, sobre a água da rede pública que abastece a aldeia.

 A água nem sempre se encontra nas melhores condições de ser consumida pelas pessoas e animais. O ano passado ficou marcado pelo corte da água da rede. A presença de coliformes e outras bactérias associadas, puseram em risco a saúde dos consumidores. A empresa que faz a gestão da rede de abastecimento viu-se forçada a difundir um aviso a proibir o consumo de água da rede, nem mesmo fervida, devia ser utilizada para confeccionar alimentos! As queixas foram aparecendo e algumas pessoas manifestaram publicamente os problemas por que estavam a passar ou passaram e nunca os associaram à água da rede pública. Foram precisos vários dias e duas análises para ser reposta a água nos canos da rede pública. Felizmente que a Junta de Freguesia se preocupou com a situação e tudo fez para resolver favoravelmente a situação. Foram dias difíceis e de grande preocupação para todos. Agora que a água já corre na rede há quatro meses, alguém já quis saber sobre a qualidade da água que agora está a consumir? A APAL-SIM, empresa responsável pelas redes de água pública no concelho do Sabugal, tem no seu calendário anual, a obrigatoriedade de efectuar recolhas de amostra da água e enviar para análises trimestralmente e deve publicar os resultados obtidos e caso necessário, agir em conformidade. Ora como o quarto trimestre já passou, já os consumidores deviam ter acesso aos resultados das análises que fizeram. Visitei o site da APAL-SIM e a Zona de Abastecimento de Água na nossa freguesia não consta o último trimestre de 2025, o trimestre posterior ao período da contaminação. E já se
deviam conhecer as análises que incluem os últimos três meses do ano passado! A ausência de informação deve deixar as pessoas da nossa freguesia em alerta, pois é importante conhecer as análises á água da rede.
 Já agora, quem sabe a proveniência da água que abastece actualmente a nossa aldeia? Eu lembro que, em Setembro de 2025, foi afirmado e confirmado por escrito, que a nova adutora (conduta) de abastecimento de água até ao reservatório da Rasa, estaria para muito breve, estava somente à espera da chegada e respectiva montagem do contador da entrada de água no reservatório! De Setembro de 2025 ao dia de hoje, passaram mais de 90 dias.
Qual é o Local de Abastecimento da água da rede pública que se consome na freguesia de Malcata?
 É dever, do poder local e da APAL-SIM, prestar esclarecimentos aos cidadãos.
 Nota: ainda não está disponível o resultado das análises da água da rede pública, da Zona de abastecimento de Malcata, relativa ao quarto trimestre de 2025. E é preocupante verificar que o quarto trimestre do ano de 2025 se seguir o caminho dos anteriores boletins de análises de 2024, só estarão visíveis e para consulta no Site da APAL-SIM em Março de 2026... digamos que é tarde demais para a divulgação dos resultados dos meses de Outubro, Novembro e Dezembro!
 

10/01/2026

ASSEMBLEIA GERAL DA ACDM - Malcata

   


 No próximo dia 24 de Janeiro vai realizar-se a Assembleia Geral da Associação Cultural e Desportiva de Malcata. A convocatória já foi publicada nas redes sociais. É a oportunidade dos sócios interessados em cumprir o seu dever cívico de associado, como os Estatutos determinam. Não era e não é fácil a muitos sócios deslocarem-se às Assembleias, mas deixo aqui o apelo aos que se encontram nas proximidades do concelho do Sabugal ou os que vivem na nossa terra, para pensarem na sua participação, pois é importante para o futuro da Associação que assim aconteça. O lugar da assembleia é no sítio do costume, não precisam de ir no comboio ou transporte público, chegam lá mesmo a pé e rápido.

 A participação dos sócios nas assembleias é importante e é sempre um contributo positivo para continuação da associação de portas abertas. É nestas ocasiões das assembleias que se reforçam os conhecimentos e os debates dos assuntos em discussão e muitos outros que apareçam. Tudo e todos juntos contribuem para o debate, o esclarecimento e ajudam na resolução dos problemas e dos programas futuros.
  Nesta assembleia de Janeiro vão estar na ordem de trabalhos pontos importantes para a associação. A apresentação das contas do ano que passou e a sua aprovação; segue-se a apresentação, votação do Plano de Actividades para 2026 e termina com aqueles assuntos que os sócios acharem por bem discutir.
 Eu, pecador confesso e assumido, sei que não tenho sido bom exemplo como sócio e estou em falta no que diz respeito ao pagamento das quotas anuais. Tenho as minhas justificações e não vou estar em pessoa na reunião agora anunciada para Janeiro. A verdade é que nunca me foi solicitado que procedesse ao meu pagamento. Também é verdade que nunca me perguntaram se havia ou existe alguma razão para não regularizar a situação. Sou sócio não pagante e não participante nas assembleias e nas actividades que a associação vem fazendo desde 2016, sim já vai para dez anos. Muitas coisas mudaram e muita água já passou por baixo da ponte. Também ultimamente nada muda porque nada se faz para mudar ou acrescentar, pois as actividades anuais que são aprovadas repetem-se todos os anos e não espelham as tradições, os costumes e os saberes malcatenhos, valores que nos legaram os nossos antepassados. Quando decidirem caminhar juntos por outros caminhos e para alcançar outros objectivos que promovam a freguesia, a sua cultura e desporto, podem convidar e irei.
 Bom ano para todos. 

09/01/2026

O MAIOR REBANHO DE CABRAS NA SERRA DA MALCATA

 

   


Rebanho na Malcata
 (Foto JFM)

  Será que em Malcata já se falou sobre a necessidade de haver cabras nos montes?
  Há poucos dias, nos finais do ano passado, surgiu a notícia que as cabras estavam de regresso à serra da nossa aldeia. E o anúncio veio acompanhado de algumas fotografias do novo rebanho. Ora as cabras para os malcatenhos não é novidade, pois noutros tempos as cabras eram um dos sustentos para as famílias. Por isso, pelo menos duas ou três cabeças era o habitual ver nas lojas. A notícia é importante por causa do número de animais que chegaram ao mesmo tempo, são muitas cabeças e realmente pelas imagens o rebanho ultrapassa a centena de exemplares. As tão faladas cabras sapadoras finalmente instalaram-se no novo curral/bardo que a Junta de Freguesia mandou construir nos terrenos dos baldios da aldeia.
  É provavelmente o único rebanho na nossa freguesia. Já dá para perceber que vão dar muito trabalho aos pastores e outras pessoas da nossa terra. A grandeza do rebanho, para além do número de cabras, está plasmada no enorme potencial que ainda está por explorar. E gerir bem é meio caminho para alcançar os objectivos pretendidos com o projecto em causa. Estão feitos os primeiros passos para que se faça renascer a pastorícia.  E isto faz-me recuar aos meus tempos de escola primária, que era normal encontrar o pastor com o seu rebanho pelas ruas da aldeia a caminho dos montes. Via cabras nas ruas, nos lameiros, nas bermas dos caminhos a devorar silvas e ramalhos e se havia petisco que elas apreciavam, era roubar de vez em quando umas folhas de couve ou nabo do chão do vizinho.
  Quando apareceram as empresas de celulose a fazer plantações lá para os Alísios, a Machoca, os Forninhos, Espigal, Chãos da Serra, parece que trouxeram maus ventos, foi uma debandada de pessoas, animais, desapareceu a agricultura e as pastagens nas clareiras dos pinhais, tudo ficou plantado com espécies novas e da mesma família das resinosas, mas cresciam muito mais em direcção aos céus. Foram plantados milhares de pinheiros, bem alinhados e com bons caminhos para as máquinas das limpezas. O que ninguém vislumbrou foi o que se seguiu anos depois. Os pinhos cresceram, foram bem mantidos e por lá se desenvolveram e desenvolvem. O pior foi o restante da floresta, dos bichos e dos humanos. Nos pinhais não cresceu e não cresce quase mais nada, o que havia foi sendo engolido, o solo está cheio de caruma, pinhas e pequenos arbustos, os coelhos deram à sola e os gatos bravios e linces, os lobos e as raposas não se ficaram a rir, abalaram também porque não tinham o que comer. Os humanos foram empurrados para fora da serra porque era mais importante preservar o habitat natural do lince ibérico. Qualquer tentativa de cultivo ou intrusão na floresta natural da serra, era castigada com repreensões e desagrados. O mato foi crescendo ao lado dos pinhos e das giestas. Os carvoeiros foram embora e partiram para a França, lá eram mais bem pagos e reconhecido o seu trabalho. Tudo foi caindo e morrendo, esquecido e o povo voltou as costas à floresta.

  Agora, quando olho para as imagens deste rebanho, já me estou a ver a comer queijo com pão. E estou a sonhar com aquele queijo fresco, de dois dias de cura, feito em casa, com a coalhada dentro do acincho e o soro a escorrer pelo bico da francela até cair no alguidar. Esse é que é o verdadeiro queijo fresco, feito de leite e algum cardo, sem farinha, mas com algumas pedrinhas de sal grosso. Quem não tem essas imagens na cabeça e a boca a salivar, nunca passou pela boa experiência do que é comer queijo fresco. E é disto que fico à espera de um dia voltar a experimentar. Eu ficarei satisfeito e quem estivar comigo, sentirá que vale a pena consumir produto bom, genuíno e além da excelente qualidade e sabor, alegra a comunidade, aconchega o estomago e faz aumentar a autoestima de todos.
  As cabras, os que as tratam e cuidam, são por isso importantes em todo esta fileira da pastorícia.
  Acredito que o rebanho das cabras serranas pode alterar a vida das pessoas que residem na nossa aldeia. É um projecto que a nossa gente tem de acarinhar, valorizar e estar disposto a colaborar no crescimento desta empreitada. Que ele seja uma das alavancas do desenvolvimento sustentável e da criação de uma rede económica baseada na ideia da economia circular.
  Deus ajuda sempre, nós é que temos de fazer a nossa parte.
  Vamos lá apoiar as cabras e os pastores.
 

08/01/2026

E PORQUE NÃO?

 

Calendário das reuniões da CMS-2026

 A censura sempre foi uma prática normal nas ditaduras e a imposição do silêncio só serve para impedir a voz dos que ousam questionar, ouvir respostas e esclarecer dúvidas.
 Lutar pela liberdade de expressão, liberdade de opinião, querer saber para poder analisar, reflectir e dar o parecer sobre os assuntos que estão a ser discutidos, avaliados e votados, faz-se com o recurso e a possibilidade de acesso e utilização de diversas ferramentas para efectuar a recolha de toda a informação importante e necessária.
 No recente dia 7 de Janeiro houve uma reunião pública na Câmara Municipal. Fui ver a página do Município do Sabugal, na rede Facebook, mão encontrei informação sobre o que lá foi tratado, foi mais uma reunião que já é passado e do que lá foi dito, discutido, aprovado ou reprovado, vou ter de aguardar uns dois ou três meses até que a acta desta dira reunião esteja disponível na internet e então ficar informado sobre o que de mais importante se falou. É normal para a Câmara do Sabugal tanta demora na publicação destes documentos na internet, dizem que é necessário tempo para transcrever o que lá se fala e portanto, isso demora, leva algum tempo e entretanto, o povo e os vereadores só têm de esperar, ou então esquecer essa leitura e continuar a vida normal. Estamos em Janeiro de 2026, pois desde 12 de Novembro de 2025, até ontem, 7 de Janeiro de 2026, não foi divulgada qualquer acta das reuniões da Câmara.
 Hoje, o que me traz aqui a falar das actas e das reuniões de Câmara, de Juntas, de associações, etc., foi um vídeo que foi um pequeno vídeo que vi agora nas redes sociais. Confesso que não me surpreende ou causa espanto de tudo aquilo que o senhor Francisco diz me causa espanto. São dois minutos de imagem e som, sem risos ou ruídos exteriores. Tudo o que está dito é
claro, líquido e é assim que devem trabalhar os políticos, por mais que sejam inconvenientes e incómodos. E isto não é por ser este senhor ou este partido a fazer o que faz, nem eu tenho ligações ou filiação partidária ao CHEGA, mas reconheço e dou razão ao senhor vereador. É o trabalho dele e os compromissos que assumiu cumprir durante o seu mandato.
 A democracia e a liberdade é para ser real e verdadeira.
 Compete aos políticos e às oposições políticas, perguntar, exigir, escutar e escrever o que se passa nas reuniões da Câmara Municipal, para melhor exercício da sua função de vereador, de presidente…de cidadania. E por mais que incomode a gravação das reuniões, porque a liberdade é o pilar da democracia, porque não cumprir as regras? 

Ver o vídeo:
https://www.facebook.com/francisco.moraisbarros


05/01/2026

MALCATA: MAIS DE 100 CABRAS JÁ LIMPAM OS BALDIOS DA FREGUESIA DE MALCATA

 






Rebanho nos baldios de Malcata
(Foto JFM)






Rebanho nos baldios de Malcata
(Fotos de João Aires)








Rebanho nos baldios de Malcata
(Foto de João Aires)

Foi com satisfação e alegria que olhei para estas fotografias da Junta de Freguesia de Malcata e também das outras imagens que um conterrâneo sabugalense se dignou publicar nas redes sociais. Obrigado, João Aires pelas fotografias que me ajudam a conhecer um pouco mais sobre o rebanho das cabras. Vou deixar aqui as palavras que descrevem as imagens de João Aires:
"fui dar uma volta pela serra, na esperança de ver por lá o lince e a certa altura fiquei animado, quando ao longe vi estes vultos, disse pra mim: queres ver que na vez de veres um vez um rebanho deles...mas depois puxei a imagem para mais perto e vi que estava enganado, afinal eram cabras mas gostei de ver que ainda as há por lá".
 É verdade, há cabras na serra e linces nem vestígios da sua passagem.
 E o rebanho realmente é grande, talvez umas 100 cabeças, que ainda não conhecem os caminhos e veredas e nem sequer tiveram tempo de escolher o seu "canto" no abrigo que a Freguesia de Malcata lhes oferece. É sem dúvida um acontecimento a celebrar e agora é olhar em frente porque o céu é o limite. 



01/01/2026

JUNTOS SOMOS MAIS FORTES


 

 

 O começo de um ano é sempre propício para escrever desejos, sonhar com metas e objectivos que queremos alcançar. Ainda podemos olhar para trás, recordar o que vivemos e o que fizemos ou interrogarmo-nos sobre o que ficou por fazer.
 AO longo de 2025, a nossa freguesia como se afirmou no concelho a que pertencemos? Houve festas, tradições e eventos na aldeia? Houve reuniões, assembleias, discussões e discursos? E de tudo o que houve de importante e que mereceu a nossa presença, o nosso reconhecimento, que impacto realmente teve tudo isso na vida das pessoas, da nossa comunidade malcatenha? O que sobressai e que se voltou a confirmar?

  Seria injusto entrar no novo ano sem ter um tempo para olhar para trás, para o ano velho que terminou ontem. Até porque no ano de 2025, também aconteceram muitas coisas positivas. Começa a ganhar vida a ideia da transparência, da informação e da valorização dos projectos comuns da nossa freguesia. Há sinais concretos de trabalho realizado e do muito que ainda há para fazer. Mas ainda faltam debates e partilhas de propostas que mostrem mais clareza, mais proximidade das pessoas. E em 2026, um dos desafios a alcançar é não deixar que as boas intenções se fiquem pelos caminhos e veredas e se percam com o deslumbramento pessoal.
 A nossa freguesia para ter vida própria e catalisadora não pode continuar numa lógica do “logo se verá”, quando chegar a altura de informar, todos saberão como estão as coisas, ou ainda, continuar a planear e a mandar fazer e depois da obra feita anunciar que foi a freguesia que fez, porque isso não é verdade…
 Entrar em 2026 é muito mais que passar pela porta de entrada da casa e fechar a mesma porta para esquecer o passado que acabámos de viver.
 Entrar no novo ano é muito mais do que virar a última página do diário 2025. Celebrar o novo ano 2026 é o primeiro grande passo. E ao mesmo tempo que celebramos, comecemos a cuidar do novo ano desde a primeira hora.
 No primeiro dia do mês de Janeiro, do ano de dois mil e vinte e seis, desejo aos leitores que 2026 seja um ano cheio de coisas boas, mas também cheio de boas escolhas, de bons projectos novos, confirmação do fim dos já prometidos e que as relações humanas, sociais, políticas e religiosas nos aproximem como comunidade.

                      José Nunes Martins