24 dezembro, 2011
21 dezembro, 2011
MALCATA, UMA ALDEIA COM HISTÓRIA
Ir a Malcata, não
fosse a família e os amigos, não seria uma viagem lá muito atractiva para
fazer. E agora, com o pagamento de portagens mais desanimador se torna visitar
uma terra do interior do nosso país e que continua desconhecida por muita
gente.
Malcata é uma aldeia aconchegada por montes verdes de um lado e um enorme espelho de água do outro. Para que a aldeia não caia, está amparada de um lado pela Serra das Mesas e do outro pela alta e fria Serra da Estrela, ficando a Serra da Malcata e a sua Reserva Natural um pouco escondidas e talvez por esse motivo as torres eólicas estão lá a crescer quase ao mesmo ritmo das árvores, sendo até uma espécie preferida pelos engenheiros em detrimento da plantação e preservação de outras espécies, como os sobreiros, as medronheiras e até destruindo o habitat natural do lince ibérico, aquele que já foi o mais ilustre habitante da serra da Malcata.
A aldeia sempre esteve ligada à serra e durante muitos anos não as pessoas souberam tratar dela e ainda hoje é um dos locais mais conhecidos. Mas as pessoas não viviam na serra porque é muito alta, fria no inverno e então construíram as primeiras casas ali entre a Rua de Baixo e a Rua da Ladeirinha, indo também morar para a Rua do Meio. Os casais nessa altura trabalhavam as terras e passavam as outras horas à volta da lareira, à luz das candeias de azeite, mais tarde dos candeeiros de petróleo. Como não havia electricidade, ninguém tinha televisão e deitavam-se mais cedo do que agora. Ora os casais novos, deitados naqueles colchões de palha, duros, com cobertores por cima por causa do frio, enroscavam-se um no outro e muitas nove meses depois a família estava mais numerosa. Daí que a aldeia teve necessidade de se expandir até ao Cabeço, para o Carvalhão, para a Moita, para o Soitinho e ainda hoje continua o seu crescimento, mas muito mais lento. Mas os braços já chegam à Rasa, à Senhora dos Caminhos e à Fraga.
Apesar deste seu crescimento, continua a manter o seu núcleo central na Praça do Rossio, também conhecida por Torrinha e que se espalha até à Igreja Matriz. A Rua da Ladeirinha está ainda rodeada por casas construídas em pedra de xisto. Atrevo-me a afirmar que juntamente com a Rua da Moita, são o centro histórico da aldeia. Não é um núcleo rico, mas o património ainda ali existente, é um precioso testemunho histórico que merece ser protegido, preservado e é fundamental manter como lugar de atracão para quem visita a povoação e também para as gerações vindouras da terra.
Malcata é uma aldeia aconchegada por montes verdes de um lado e um enorme espelho de água do outro. Para que a aldeia não caia, está amparada de um lado pela Serra das Mesas e do outro pela alta e fria Serra da Estrela, ficando a Serra da Malcata e a sua Reserva Natural um pouco escondidas e talvez por esse motivo as torres eólicas estão lá a crescer quase ao mesmo ritmo das árvores, sendo até uma espécie preferida pelos engenheiros em detrimento da plantação e preservação de outras espécies, como os sobreiros, as medronheiras e até destruindo o habitat natural do lince ibérico, aquele que já foi o mais ilustre habitante da serra da Malcata.
A aldeia sempre esteve ligada à serra e durante muitos anos não as pessoas souberam tratar dela e ainda hoje é um dos locais mais conhecidos. Mas as pessoas não viviam na serra porque é muito alta, fria no inverno e então construíram as primeiras casas ali entre a Rua de Baixo e a Rua da Ladeirinha, indo também morar para a Rua do Meio. Os casais nessa altura trabalhavam as terras e passavam as outras horas à volta da lareira, à luz das candeias de azeite, mais tarde dos candeeiros de petróleo. Como não havia electricidade, ninguém tinha televisão e deitavam-se mais cedo do que agora. Ora os casais novos, deitados naqueles colchões de palha, duros, com cobertores por cima por causa do frio, enroscavam-se um no outro e muitas nove meses depois a família estava mais numerosa. Daí que a aldeia teve necessidade de se expandir até ao Cabeço, para o Carvalhão, para a Moita, para o Soitinho e ainda hoje continua o seu crescimento, mas muito mais lento. Mas os braços já chegam à Rasa, à Senhora dos Caminhos e à Fraga.
Apesar deste seu crescimento, continua a manter o seu núcleo central na Praça do Rossio, também conhecida por Torrinha e que se espalha até à Igreja Matriz. A Rua da Ladeirinha está ainda rodeada por casas construídas em pedra de xisto. Atrevo-me a afirmar que juntamente com a Rua da Moita, são o centro histórico da aldeia. Não é um núcleo rico, mas o património ainda ali existente, é um precioso testemunho histórico que merece ser protegido, preservado e é fundamental manter como lugar de atracão para quem visita a povoação e também para as gerações vindouras da terra.
CANTO E CORELA
Os nomes dos lugares, sítios, caminhos, ruas, becos, travessas, praças, avenidas ou de quaisquer outros espaços urbanos ou rurais constituem uma referência, quase sempre associada à história da localidade, que importa preservar como património cultural.
Por vezes, o topónimo tem um valor expressivo de singular beleza e profundo significado.
Alguns nomes de lugares sofreram alterações, consoante as designações do povo ou os registos escritos. Mas outros persistiram, sobretudo porque, consensualmente, a população os aceitou e os transmitiu às gerações seguintes.
Os topónimos constituem, pois, marcas de identidade que merecem ser
salvaguardadas.
Na
actualidade, a Junta de Freguesia confronta-se com a necessidade imperiosa de
dar nome a todas as artérias da aldeia, para mais eficaz localização dos
domicílios. Nesta tarefa de atribuição de nomes, há, no entanto, que respeitar
as antigas designações e incorporá-las nos novos arruamentos e não,
precipitadamente, colocar nas placas toponímicas ilustres desconhecidos ou com reduzida
projecção local.
Além disso, compete à Junta de Freguesia
zelar para que as placas toponímicas das ruas sejam claras, sem erros ortográficos
e facilmente compreendidas por toda a gente, mesmo as pessoas que venham à aldeia de Malcata pela primeira vez.
Hoje venho chamar a atenção para dois casos que podem levar os menos atentos ao engano.
Hoje venho chamar a atenção para dois casos que podem levar os menos atentos ao engano.
CASO 1
A) Rua Canto? Esta rua sempre foi conhecida pelo nome de Rua do Canto.
Ora bem escrito é o nome da Rua da Fonte. É um pormenor, mas um pormenor importante porque a preposição de ou a sua contracção com o artigo definido do, da, dos, das, podem alterar radicalmente o significado de um nome de rua, avenida ou qualquer topónimo.
B) Qual é a Rua Canto ( Rua do Canto ) e qual é a Rua da Fonte ? Eu que conheço a aldeia não me engano. O mesmo já não digo de uma pessoa que venha à procura de uma destas ruas. O mais certo é ter que perguntar a alguma pessoa que viva na aldeia.
B) Qual é a Rua Canto ( Rua do Canto ) e qual é a Rua da Fonte ? Eu que conheço a aldeia não me engano. O mesmo já não digo de uma pessoa que venha à procura de uma destas ruas. O mais certo é ter que perguntar a alguma pessoa que viva na aldeia.
CASO 2
Ora neste segundo caso, temos uma placa toponímica bem colocada a indicar o início do Beco da Corela. O mesmo já não acontece com a placa colocada para informar o seu fim. E isto mais complicado fica quando quisermos percorrer este arruamento. Se iniciarmos o passeio pela Rua do Carvalhão, quando chegarmos junto à casa da família do senhor António Rato ( TiTó) damos conta que só podemos continuar a caminhar até à Rua da Fonte, mas passando ao lado da casa da família da minha Ti Esperança. Ora, a outra placa, ali ao lado da casa da família do senhor Raúl Coelho não tem ligação com a casa da família referida atrás. Ou será que há dois "Becos da Corela"? Na minha infância os garotos da minha idade quando queriam jogar a bola combinavam encontrar-se na Corela. Lembram-se daqueles jogos de bola ali naquela terra ao lado da casa da Ti Dulce e do Ti Coelho? Mesmo com uma inclinação do terreno, as duas equipas chutavam na bola e não faltava entusiasmo. Esta era a Corela que pertencia ao Ti João...não me lembro do apelido. A outra terra, que actualmente está ocupada com moradias, além de castanheiros, servia de eira para colocar o centeio no tempo das malhas.
Beco da Corela ( pela Rua do Carvalhão )
Beco da Corela ( Pela rua da Fonte )
Também tenho a dizer que as placas toponímicas já estão colocadas há uns anos e estes dois casos não é da responsabilidade da actual junta. Mas uma vez que é a Junta de Freguesia a entidade responsável pela sua manutenção e conservação, convinha que corrigissem estes pequenos erros.
Ainda um dia voltarei ao assunto dos jogos de bola na Corela. Talvez o Mário, o Zé Manel, o Tó, o Vitor, o João, o Fausto, o Carlos, o Manel da Corela...me ajudem a lembrar esses campeonatos de jogar a bola com balizas que não tinham poste e muito menos barra!
18 dezembro, 2011
AS MINHAS HISTÓRIAS
AS GALINHAS DA AVÓ BI
A avó Bi, carinhosamente
assim chamada pelas netas, vivia na pequena aldeia de Malcata. Para esta mulher, que
não quis ir para terras de França, como muitas outras mulheres fizeram, a
capoeira para ela não tinha segredos, mas mesmo assim entusiasmava-se sempre
com as visitas das suas netas e lhes mostrava os feitos e os feitios das suas
galinhas e dos seus pintos. As duas crianças ficavam a ver a avó atirar uma mão
cheia de milho ou a pendurar na rede umas folhas de couve galega enquanto se riam
do alvoroço de penas pelo ar quando a avó tentava agarrar uma das galinhas
brancas para a mostrar.
- Posso fazer uma festinha, vó ?
-Eu também quero fazer! Vó, deixas fazer só uma festinha?
O aceno afirmativo transformava a pequena galinha num brinquedo, acariciado pelas mãos das duas crianças. Uma delas não resistiu a encostar a cara ao corpo quente e macio, enquanto a outra tentava meter-lhe o dedo pelo bico dentro e dizia:
-Ela morde? Ó vó, as galinhas como comem se não têm dentes?
E a Ti Benvinda enquanto arranjava o lenço preto que trazia na cabeça, ria-se e não tirava o olhar do bico da ave, não fosse a menina vítima de uma bicada no dedo indicador e respondeu depois de ouvir outra vez a mesma pergunta:
-Comem pois! Então as galinhas têm que comer senão não crescem e depois não tenho para vos dar.
Bá, vamos deixá-las comer o milho e vamos ali à coelheira ver os coelhos. A coelha tem lá uma ninhada de seis coelhinhos e hoje ainda não lhe dei a comida. Andai lá, vamos.
E lá iam as três juntas para o quintal. A neve cobria todas as couves e as luvas de lã mantinham quentinhas as mãozinhas das crianças que desciam a saltitar e a cantar aquela canção
“A todos um Bom
Natal- Posso fazer uma festinha, vó ?
-Eu também quero fazer! Vó, deixas fazer só uma festinha?
O aceno afirmativo transformava a pequena galinha num brinquedo, acariciado pelas mãos das duas crianças. Uma delas não resistiu a encostar a cara ao corpo quente e macio, enquanto a outra tentava meter-lhe o dedo pelo bico dentro e dizia:
-Ela morde? Ó vó, as galinhas como comem se não têm dentes?
E a Ti Benvinda enquanto arranjava o lenço preto que trazia na cabeça, ria-se e não tirava o olhar do bico da ave, não fosse a menina vítima de uma bicada no dedo indicador e respondeu depois de ouvir outra vez a mesma pergunta:
-Comem pois! Então as galinhas têm que comer senão não crescem e depois não tenho para vos dar.
Bá, vamos deixá-las comer o milho e vamos ali à coelheira ver os coelhos. A coelha tem lá uma ninhada de seis coelhinhos e hoje ainda não lhe dei a comida. Andai lá, vamos.
E lá iam as três juntas para o quintal. A neve cobria todas as couves e as luvas de lã mantinham quentinhas as mãozinhas das crianças que desciam a saltitar e a cantar aquela canção
A todos um Bom Natal!
Que seja um Bom Natal
Pr’a todos nós!
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