Contas apresentadas pelos mordomos
A realidade é composta de acontecimentos,
notícias, memórias, histórias, pessoas, animais e tudo aquilo que é ser
malcatenho independentemente do lugar onde esteja.
E como ser malcatenho? Como são os
malcatenhos? São todas as pessoas que desejam conhecer e defender as raízes que
lhes alimenta a vida e com convicção e alegria defendem as suas origens e identidade.
Há acontecimentos e notícias que me chegam e
não posso deixar de retransmitir para outros ficarem a conhecer.
As contas das Festas de Malcata 2024 eu e muitos de vós já as lemos nas redes sociais. E aquilo que as pessoas disseram sobre uma coisa tão
importante, como é o saldo positivo das contas, a comissão de mordomos deve
estar satisfeita e contente pelos aplausos e elogios recebidos. Não há como
esconder que valeu todo o suor e todas as horas devidas à cama e às famílias
dos mordomos. A todos o povo deve um louvor.
A missão era gigante e tinha logo à partida alguns anticorpos e nuvens
cinzentas que as festas do ano de 2023 repentinamente ensombraram o céu e os
malcatenhos puros. Sabemos hoje que os mordomos deste ano e desta vez,
elaboraram um plano e com esse plano asseguraram e provaram que é possível organizar
uma festa, com muita diversão e farta de actividades, comida e bebida.
Chegados a este ponto, com a
apresentação dos nove mil euros de saldo, quase atingiam os dez mil euros, que
é um registo digno de salientar e louvar e qualquer pergunta mais sobre as
contas ou sobre a festa deste ano, vai ser vista como crítica e tentativa de desviar as
atenções para pormenores sem interesse.
Eu este ano não fui à festa e o que sei sobre a festa deste ano baseia-se nas publicações
das redes sociais, nomeadamente a página oficial da festa e das publicações de
muitos que estão de alguma forma ligados a Malcata. Como não vivo na aldeia,
como malcatenho permite-me olhar para a festa com algum distanciamento e sem
receio de vir a ser criticado. E no que toca à festa e às contas, estas não são assim tão claras e transparentes como se diz, é a apresentação normal e geral das contas. Há pormenores que são importantes porque é a soma deles que depois resulta no saldo final. Também para se obter o total das receitas e das despesas, temos de ter presente as circunstâncias temporais e as relações-públicas e influências que certos elementos da comissão de mordomos têm na freguesia e na região e mesmo que o tentem afastar, é totalmente impossível. É o caso de um mordomo que, legitimamente foi escolhido e aceitou ser mordomo, com conhecimento do povo e dele próprio e que este ano também está a desempenhar um cargo político, público e importante na freguesia, com toda a legitimidade política e democrática que a lei lhe concede, desde 2017 até 2025. As pessoas não se podem dividir ao meio e as missões que aceitam levar a cabo têm sempre de ter consciência desta forma de estar em sociedade. E quando a realidade se apresenta como o que acabo de dizer, há mais uma razão para a clareza dos procedimentos e dos resultados, incluindo as coisas menos importantes pelo simples facto de um mordomo ser também o presidente da junta da mesma freguesia onde se realiza a festa.
É, portanto, importante prestar mais
esclarecimentos, sim ainda mais, por parte da comissão de mordomos e caso tenha havido apoios da autarquia
Que apoios recebeu a Festa 2024 vindos da
Junta de Freguesia de Malcata?
Na parcela dos apoios / patrocínios, que foi tornado público, ficamos sem saber o que cada um dos 25 ofereceu; também a ausência de qualquer apoio por parte da
autarquia, pode levantar dúvidas nas contas e nos resultados.
Por isso, pela clarificação e transparência dos processos, da separação de
funções públicas e políticas, da missão temporária de mordomo, há que informar
bem para as contas mostrarem o seu brilho próprio, mesmo que até sejam pequenos pormenores, pequenas ajudas logísticas dadas pela autarquia.
A falta de mais informação está também na parcela Palco/Bandas/Som: 13.045,30€; idem na parcela da Igreja: 760,00€. Houve vários intervenientes musicais e no som, já com o palco mesmo sendo um, não é revelado o seu custo de aluguer ou cedência. Na despesa da Igreja ficamos sem conhecer a que se destinaram os 760 euros. Tudo para a Fábrica da Igreja não creio ter sido. Também nas flores e outros arranjos é muito para essas necessidades.
Como podemos verificar, o divulgar as contas como estão
agora, é já de louvar e é um exemplo que outras comissões de festas deviam ter
feito e não fizeram. Contudo, pelo que já disse antes, há esclarecimentos
importantes que ainda devem ser feitos.