30 Março 2010

MALCATA.SABUGAL.PT

A Junta de Freguesia de Malcata tem a sua página oficial na internet. Até às últimas eleições para aceder ao portal escrevia isto: http://www.malcata.juntafreguesia.com/ e a página abria. Depois das eleições cada vez que escrevia este endereço era isto que via:
Há uns dias para cá, perguntei ao Google pela Junta e obtive esta resposta:
http://www.malcata.sabugal.pt/ e o resultado foi este:

Portal actual da Junta de Freguesia de Malcata

Mas o portal continua com os problemas do anterior. Se pretender pesquisar em CONTACTOS/LINKS/DOCUMENTOS/COMENTÁRIOS vou parar aqui:

   Agora vou enviar um mail para aqui: freguesiamalcata@sapo.pt e aguardar que alguém me responda, ou será que também não está activo?
   Porque não avisam as pessoas da mudança de endereço? Porque não corrigem os erros que a página possui desde a sua criação?
   Claro que me entusiasmei com as fotografias do dia "L" em que as pessoas de Malcata voluntariamente participaram. Desde já, vai o meu louvor e reconhecimento ao senhor Vitor Fernandes, digníssimo presidente da Junta de Freguesia e também um forte aplauso a todos os que participaram nessa iniciativa. A internet também serve para louvar e reconhecer. Mas a internet para exercer o seu papel tem que ser acessível e gratuita para todos. Para que serve uma página da aldeia na internet se aos habitantes dessa aldeia não lhes ensinamos a funcionar com essa ferramenta?
    Sugiro que a Junta de Freguesia leve a cabo uma série de cursos de iniciação à internet a realizar na aldeia. Faça como outras freguesias já fizeram, ou seja, solicitaram ajuda e apoios à Fundação para a Divulgação das Tecnologias de Informação.
   E não se esqueçam de exigir a correcção e a actualização da página a quem a freguesia paga para isso.

CONTEM-ME COMO FOI

Escola primária de Malcata, 21/02/1975
   (Clique em cima da foto para ver melhor)

Contar a história desta fotografia é contar um pouco da história da aldeia de Malcata. Naquele tempo, em 21 de Fevereiro de 1975, na escola primária de Malcata aprendia-se a resolver problemas de matemática. Quem são estes meninos e estas meninas? Reconheci alguns e vós que me dizeis?

29 Março 2010

XQUEST 2010 SERRA DA MALCATA

A primeira edição da XQUEST, prova de BTT com sete etapas, levará as equipas até aos belos e exigentes trilhos do Alto Alentejo, Beira Baixa e Beira Alta, passando pelas míticas Serras da Malcata e Estrela e ainda pelo Parque Nacional de São Mamede.



 

O traçado final está quase confirmado, faltando apenas acertar algumas das cidades e vilas que acolherão a caravana XQUEST 2010.



As 7 etapas da prova terão as seguintes distâncias (sujeitas a ligeiras alterações):



Etapa 1 - 120km



Etapa 2 - 117km



Etapa 3 - 102km



Etapa 4 - 62km



Etapa 5 - 120km



Etapa 6 - 103km



Etapa 7 - 70km



Ver mais aqui: http://www.xquest.pt/index_global.php?lang=pt

O SABER FAZER SABER

                                               Observem a grossura das paredes...


Voltando mais uma vez ao  tema da internet gratuita em Malcata, recebi um mail de pessoa entendida no assunto e que passo a trascrever:

"Introdução




Não fosse o tom intimidatório, ameaçador do texto que motiva esta resposta, e a questão podia-se resumir à queixa de um cidadão insatisfeito com a qualidade de prestação de um serviço por uma entidade publica.


Contudo com se pode constatar o texto caracteriza-se por uma total ausência de boa educação e respeito pelos mais elementares direitos dos cidadãos eleitores e eleitos.







1 - Questões legais que se colocam à distribuição de Internet sem fios, em espaços públicos, por entidades publicas, o direito dos cidadãos de aceder a esse privilegio que é ter Internet a custo zero.



a) - As redes Sem Fios (Wi-Fi ou Wirelles) que estão a ser instaladas nas freguesias, não estão a cumprir alguns preceitos e normas legais, como o direito que todos os cidadãos têm de aceder em condições de igualdade a um bem publico.



Quando uma instituição publica fornece um serviço (neste caso as Juntas de Freguesia segundo podemos depreender das suas palavras) são obrigadas por lei a cumprir o principio de não discriminação dos cidadãos.



Ou seja, se disponibilizam a um cidadão um beneficio terão que o fornecer em condições de igualdade a todos os cidadãos.

Não podem as instituições governamentais discriminar alguns cidadãos em beneficio de outros.




Ora, se há cidadãos que por sorte, ou talvez não, estão próximos das antenas e tem acesso à Internet, há outros que não estão tão próximos e que são discriminados, pois estão impedidos de beneficiar desse serviço que outros gozam em seu proveito a custo zero.

Isto é uma clara atitude de discriminação para os que não estão ao alcance das referidas antenas.



Assim, temos que para as Juntas de Freguesia, existem cidadãos de primeira e cidadãos de segunda.


Uns tem acesso às redes de comunicação de forma gratuita, são os privilegiados.

Outros tem que pagar a sua ligação às operadoras, ou comprar um router à mesma empresa que causa a discriminação sem garantia de que tenham internet, estes são os discriminados que não têm acesso a um bem que é suportado por dinheiros de todos e que apenas serve alguns.



b) - Não pode o Estado através das suas instituições favorecer uma empresa privada em deteriento das outras.

Os contratos no valor de Muitos milhares de Euros, foram concedidos sem qualquer concurso ou avaliação técnica credenciada e independente dos projectos.

A empresa em causa foi claramente favorecida em detrimento de outras empresas do concelho ou da região.

Esta atitude de favorecimento é no minimo eticamente reprovável mas será que é legal?

Porque razão a empresa que coloca as estruturas de rede sem fios (Wi-Fi) nas aldeias, foi escolhida sem qualquer concurso de fornecimento do serviço, ou estudo técnico de implementação do sistema?

Porque razão uma estrutura de rede Sem Fios (Wi-Fi) tão complexa não foi analizada por várias empresas no sentido saber se era exequível a sua realização?



c) - Todos os cidadãos tem o direito a saber como são gastas as verbas do erário publico, uma vez que estas tem origem nos impostos que esses mesmos, "todos" cidadãos pagam.

Os contractos e acordos formalizados pelos poderes públicos não podem ser do dominio secreto de alguns, será que entende isto?



Ao afirmar o seguinte:

"Que sabe vc sobre os acordos que a empresa tem com as Juntas?

O que é que vc tem a ver com isso??


Que direito tem vc de duvidar da minha palavra??


Vc conhece-me???"

Deve-se referir que não se sabe nada, mas seria interessante e é acima de tudo legal, os cidadãos saberem que acordos foram feitos com as Juntas de fregesia e o conteúdo dos mesmos.



O Senhor está aqui a afirmar que os cidadãos deste país, não têm o direito de saber quais os termos dos acordos realizados pelas Juntas de Freguesia, utilizando dinheiro publico, com a SUA empresa privada?



Ou seja que no seu entender, o Senhor estabelece "acordos" que pretende manter SECRETOS com as Juntas de Freguesia porque acha que ninguém tem nada a ver com isso?



Já se apercebeu que neste caso está a colocar em causa as pessoas que consigo realizaram os ditos "acordos" que o Senhor pretende manter secretos?



Parece ser óbvio, que acabou de deixar em "maus lençóis" os seus parceiros, ou seja os equipas das Junta das Freguesias com quem estabeleceu esses "acordos", que desta maneira pretende manter secretos.

Deve-se esclarecer o senhor, que esta questão não é com o senhor ou com a sua empresa, esta questão é com as edilidades locais e com a boa gestão e transparência na utilização das verbas dos nossos impostos.

Nem o Senhor, nem a empresa que representa, nem ninguém pode calar, ou mandar calar, um cidadão que vê uns serem privilegiados e outros discriminados, no aceso a um bem publico.

São direitos básicos da democracia.

O 25 de Abril foi em 1974 já deu por isso?





2 - Questões técnicas.



a) - Limitações legais e de saúde publica colocadas às comunicações radioelectricas.



Existem em Portugal normativos legais que impõem regras para as comunicações radioelectricas.

As questões relativas à utilização do espectro electromagnético tem que respeitar essas normas muito rigorosas, que limitam a potencia e as frequências dos dispositivos rádio transmissores,

A lei, tem como intuito proteger os utilizadores de radiações perigosas e impedir a saturação do espectro radioelectrico.

Ficamos a saber que, temos limites que nos restringem a potencia de emissão a utilizar nos dispositivos como routers, computadores, telemóveis, pdas e outros.




Todos já ouviram falar das questões que as emissões de radiofrequência provocam nos utilizadores, tais como aumento das probabilidades de sofrerem de cancros.



O Senhor parece não saber, é que cada antena emite uma radiofrequência que acima de determinados valores pode ser prejudicial para a saúde publica e é ilegal.

Essas limitações legais levantam questões técnicas que não foram tidas e consideração quando do planeamento, se é que o houve, das redes que a sua empresa instalou, como mais à frente se vai demonstrar.





b) - As características geomorfológicas das diversas freguesias, a distribuição dos cidadãos e as dificuldades técnicas que estes factores colocam à instalação de uma rede sem fios (Wi-Fi).

Quem conhece o Concelho do Sabugal, sabe que temos uma variedade imensa em termos de morfologia. Temos serras, vales profundos, planícies, temos freguesias e anexas com ruas estreitas e sinuosas, zonas de terreno aberto e sem obstáculos intercaladas por bosques e florestas. E, temos cidadãos que de uma forma dispersa ocupam todas estas zonas.

Perante uma situação com estas características, qualquer desenhador ou técnico de redes sabe que é impossível fazer chegar a todos os cidadãos acesso à internet sem fios sem recurso a dispendiosos meios.

Nenhuma pessoa encarregada de planear e desenhar uma rede Wi-Fi, numa área tão extensa e tão diversa como concelho do Sabugal, poderia pensar que bastaria uma antena na torre da igreja. A menos que seja completamente louco.



Como exemplo prático veja-se as dificuldades que as operadoras de telemóveis têm em cobrir o concelho. Estas empresas empregam tecnologias de ponta e tem antenas de elevado ganho, para que sem desrespeitar os limites de potencia legais, façam chegar o sinal aos utilizadores.

Todos sabemos de locais onde na mesma casa de um lado existe rede e mais ao lado não.

Ora, se essas empresas de telecomunicações que utilizam a melhor e mais moderna tecnologia, os melhores técnicos e engenheiros não conseguem dar cobertura a todo o concelho, pelas dificuldades socio e geomorfologicas.

Não seria de esperar que, uma ou duas antenas não tivessem a capacidade de cobrir todos os cidadãos de uma freguesia ?




As características arquitectónicas das aldeias e anexas do concelho, também colocam condições extremas à propagação das ondas rádio de baixas potencias.

As ondas de rádio propagam-se pelo espaço, sendo afectadas pelas superfícies e pelos materiais que as compõem.

Qualquer desenhador de redes profissional, ao observar a distribuição no espaço, das casas dentro das freguesias e anexas, sabe que são espaços onde as ondas electromagnéticas tem extrema dificuldade em se propagar, sendo a situação agravada pela necessidade de atravessar as espessas e radioemissoras paredes de granito.

Para que fosse possível fazer uma distribuição de sinal eficiente, a todos os cidadãos das freguesias, (há que lembrar que se um tem acesso todos tem que ter em condições de igualdade) seria necessário uma quantidade tal de equipamentos, que seria incomportável para as freguesias cobrir os custos dessa instalação, pois seria mais económico subsidiar cada um dos utilizadores na sua ligação 3G a uma operadora nacional.







Conclusão.



"Mandam as regras do bom senso que quando se fala de qualquer coisa deviamos saber o que dizer, mais ainda quando tal pode prejudicar terceiros."



O Senhor começa o seu texto por esta afirmação.

Seria bom que meditasse sobre ela.



Faz ainda esta afirmação.



"talvez então aprender algumas coisas sobre redes wireless, que pelos vistos não sabe."



Depois do que foi exposto no articulado acima, necessita que lhe aconselhem onde aprender sobre redes sem fios, o seu planeamento e técnicas para ultrapassar dificuldades?



Não se pode deixar de olhar com alguma graça irónica para o pedaço do seu texto que se segue.



"Para terminar deixe-me dizer-lhe que este artigo tem uma quantidade tal de asneiras que só daria para rir, não fossem os prejuizos que a mim me está a causar e à empresa que represento."



O senhor no seu texto é que parece ter causado prejuízo à empresa que representa, demonstrando a incapacidade desta de levar em frente a tarefa a que se propôs e tornou público.



Mas se fosse só à sua empresa era um problema do foro dessa mesma empresa, o problema é que o prejuízo causado foi ao erário público e causou um imbróglio legal que envolve as Juntas de Freguesia que fizeram com a sua empresa acordos que o senhor pretende manter secretos, sendo que para agravar, estes projectos provocam uma discriminação entre os que tem e os que não têm internet.



Não é uma posição confortável para um responsável politico eleito por todos os cidadãos, estar envolvido num negócio realizado com dinheiros públicos, que apenas serve alguns dos eleitores que o elegeu.

Ter como parceiro alguem que, para alem de não cumprir as expectativas iniciais, declara publicamente pretender manter os acordos firmados fora do controlo dos cidadãos complica mais as coisas, percebe?



(P.S.) - A complexidade da questão, em termos técnicos e legais, obrigaria só por si a um texto mais extenso e técnico. Neste caso, atendendo a que se destina a um público com poucas bases de conhecimento técnico sobre redes de comunicação, optou-se por uma linguagem mais alegórica e menos técnica com o intuito de facilitar a compreensão do leitor com conhecimentos mais básicos.

Se for necessário algum esclarecimento que contribua para a solução do problema pode ser deixada aqui."

OS REFLEXOS DA INTERNET

A Junta de Freguesia de Malcata, mediante um acordo com um operador, continua a disponibilizar o serviço de internet sem fios gratuito para todos os habitantes e visitantes da aldeia. Para isso, foram instaladas antenas em locais estratégicos para repartir o sinal.
Até aqui, não disse nenhuma asneira, pois não? As antenas estão lá colocadas para todos verem. A da Torre do Relógio até demorou menos tempo, pois até ficou com uma estrela de natal ao lado que lhe dá um aspecto mais insólito e não interfere com a difusão do sinal. Mas fica lá tão mal !!!
Alguém está informado do acordo que a Junta de Freguesia celebrou com a empresa que instalou as antenas e faz a manutenção do serviço de internet? Já perguntei a algumas pessoas mas não recebi resposta. O que sei é que quando vou á aldeia, fico na casa dos meus pais que dista uns 100 metros da antena da Torre e "entrar" na net é mesmo difícil. Mas se me deslocar para outros sítios, por exemplo, junto ao castanheiro do Centro de Dia, tenho um sinal bem forte. Mas se sair daí e me sentar nas escadas da casa do Alberto ( situada a uns 50 metros do Centro de Dia ), nicles e net de grilo. Algum técnico sabedor me explica esta situação?
A Junta de Feguesia quer ou não quer disponibilizar a internet em condições de igualdade para toda a aldeia? Os nossos idosos têm a sorte de viver mesmo por baixo da antena. Oxalá eles aproveitem os momentos que lhes disponibilizam para ver e conversar via Web com familiares e amigos!!!
"Ah, se quiseres ter internet mais rápida tens de falar com fulano e comprares um router" disse-me alguém uma das vezes que tentei esclarecer a situação.
Afinal, o serviço é gratuito, mas há que comprar? Se há um serviço público fornecido pela Junta de Freguesia, uma entidade pública, sendo eu também filho dessa terra, tenho duas razões para saber o conteúdo dos acordos que efectuou. Já não vivemos num mundo fechado e hermético. Acredito que haja na aldeia gente que não se interesse minimamente por estas coisas e tudo o que as entidades públicas e religiosas fazem, é porque é bom para toda a aldeia e nem pensar em duvidar. Esses tempos já lá vão e o que sei é que uns disfrutam de serviço internet e outros não, mas vivem na mesma terra, só que em sítios diferentes.
PS: Vou aprender algumas coisas sobre redes wireless e talvez, quem sabe, enfrentar a concorrência!



17 Março 2010

ESCREVER DIANTE DA SERRA DA MALCATA












NOME: Manuel da Silva Ramos
Profissão: ESCRITOR
Naturalidade: COVILHÃ






   Manuel da Silva Ramos, é um escritor português, nasceu em 1947, na Covilhã, onde estudou até completar os estudos do liceu.
   Foi para Lisboa estudar Direito, mas acabou por exilar-se em França, para fugir ao fascismo.
   Tem obras publicadas e aos 21 anos foi o vencedor do Prémio de Novelística Almeida Garret ( em 1968) com "Os Três Seios de Novélia". Outras obras do escritor:Café Montalto, Ambulância, Contos Para a Juventude e a Ponte Submersa.
   O seu livro mais recente tem este título: "Três Vidas Ao Espelho"
                                                                     Editora: D.Quixote
                                                                     Colecção: Autores de Língua Portuguesa

Este livro relata uma história magnífica com contrabandistas e emigrantes. Mostra de forma detalhada, a vida nos finais dos anos quarenta da aldeia de Bismula, uma pequena aldeia do Sabugal.
       Três Vidas Ao Espelho é uma reabilitação dos contrabandistas e dos emigrantes. É um elogio aos emigrantes e aos contrabandistas da raia, que tiveram um importante papel na vida desta região raiana.

  

15 Março 2010

O PADRE QUE TAMBÉM É BOMBEIRO

  O hábito não faz o padre

Os tempos de infância são propícios para os sonhos. Ser bombeiro fez parte do imaginário de César Cruz. Para além de concretizar esse sonho, César Cruz é também pároco em

várias paróquias da Diocese da Guarda.

Apesar de ter o uniforme, o padre César Cruz não se considera bombeiro a tempo inteiro. “O meu cargo é mais moralizar e incentivar a malta” – confidenciou à Agência ECCLESIA. Tudo começou na paróquia de Meimão… “Decidimos criar uma corporação de bombeiros, ligados à secção de Penamacor”. Como tinha um grupo de jovens a preparar-se para o sacramento do Crisma, “fizeram-me o pedido para os incentivar a inscreverem-se nos bombeiros”.


Os cerca de 30 jovens ouviram o pedido e, juntamente com o Pe. César, entraram para a corporação. “Não cruzei os braços”, mas reconhece que “tenho faltado muito à escala de trabalho” – lamenta. Estas ausências são compreensíveis visto que tem várias paróquias - Casteleiro, Malcata, Meimão, Sto Estêvão e Póvoa – e é professor de Educação Moral e Religiosa Católica (EMRC). Na festa de inauguração benzeu os carros e o quartel na presença do Secretário de Estado que achou “piada um padre fazer parte da corporação”. Quando toca a sirene dos bombeiros “nem sempre estou disponível” – confidencia.


No Verão passado, a zona do Sabugal foi bastante fustigada com incêndios. Mesmo desfardado, “estive com os meus colegas bombeiros”. Apesar de ser um dia de reuniões na escola e de missas, no final de uma delas foi ajudar um grupo de jovens de Santo Estêvão na eliminação do fogo. “Meti mãos à obra com uma pá”.


Quando as labaredas proporcionam cenários dantescos, os bombeiros e as pessoas que observam os seus bens a desaparecer “consideram-se muito pequenas junto daquelas chamas” – esclarece. Aparecem também as questões: “como acabar com o fogo?; como é possível isto acontecer?...”. Há uma sensação de revolta quando “sentimos que foi fogo posto” – afirma o padre da diocese da Guarda.


Todos os anos desaparecem muitos hectares de floresta. Perante esta verdade irrefutável, o Pe. César Cruz alerta: “é necessário olhar para a floresta como um bem imprescindível”. Vive na zona da Reserva Natural da Malcata que outrora era verdejante, mas, actualmente, o concelho do Sabugal tem pouca floresta. “Os incêndios das últimas décadas destruíram quase tudo”. E aconselha: “é importante reflorestar…”


Para se chegar a bombeiro é necessário tirar um curso e depois as especialidades. “Devido a minha ocupação é impossível tirar essas especializações porque são quase sempre ao fim-de-semana”. “Não é bombeiro quem quer, mas quem quer pode chegar a bombeiro” – sublinhou o Pe. César Cruz. Ao falar do seu escalão naquela corporação, o padre bombeiro afirma que é “aspirante com orgulho e prazer”.


Nunca andou vestido com a farda de bombeiro na luta contra o fogo porque “quase sempre ando ocupado noutros serviços”. No entanto já fez “serviços de ambulância, nomeadamente no transporte de doentes”. E relata: “As pessoas quase ganharam uma nova alma quando souberam que eu era padre”.


O quartel de bombeiros de Meimão tem cerca de 40 voluntários (homens e mulheres) e o padre bombeiro considera que “existe um ambiente saudável”. Com o aumentar da confiança entre as pessoas “podemos evangelizar no quartel”. E adianta: “não se consegue evangelizar só e apenas na igreja”.


Sabe manusear os utensílios dos bombeiros. “O que me faz falta é a formação porque não tenho disponibilidade”. Mesmo com a escassez de tempo “fiz piquetes e dormir no quartel” – realça. Os paroquianos “aceitaram bastante bem” este serviço à comunidade. Ao som das sirenes, tanto das ambulâncias como dos carros de bombeiros, as pessoas devem “questionar-se sobre o que podemos fazer para ajudar”.


Ser bombeiro “é um estado de espírito”, mesmo que D. Manuel Felício, bispo da Guarda, o transferisse para outra paróquia “teria todo o gosto em inscrever-me na corporação dessa terra”. No entanto reconhece que “teria de ver primeiro a minha disponibilidade”.


Nascido em 1974, o Pe. César Paulo foi para o seminário com 11 anos de idade. Esteve no Seminário do Fundão até ao 9º ano, no Seminário da Guarda até aos estudos teológicos e, posteriormente, na Universidade Católica do Porto. Ao relatar a sua experiência sacerdotal, o Pe. César Cruz frisou que, actualmente, “não é fácil ser pastor em lado nenhum”.


Nesta região serrana onde a palavra rebanho é comum, o padre bombeiro utiliza a metáfora para explicar a relação entre o pastor e o rebanho. O concelho raiano tem “uma vivência muito própria da religião”. “Há ovelhas que me acompanham e outras nem tanto”. Perceber os modos de caminhar das pessoas “é de extrema importância” – disse.


Como professor de EMRC, o Pe. César Cruz sente que há “uma luta constante para que o ensino religioso esteja nas escolas”. E completa: “é muito complicado implementarmos a nossa disciplina nas escolas”. Neste diálogo, o Pe. César Cruz concluí que, diariamente, “apago «fogos» na escola”.
Copiado daqui:
http://www.fregmeimao.com/index.php?option=com_content&view=article&id=98:cesar-cruz-padre-e-bombeiro&catid=3:destaques
 

A CULTURA DAS TOURADAS

   Umas centenas de pessoas, parte delas totalmente nuas, reuniram-se no centro da cidade de Madrid para protestarem contra o projecto do Governo Regional em transformar a tourada num Bem de Interesse Cultural.
   "Ninguém pode estranhar o pedido,
    já que a cultura tauromática é algo que faz parte
    da cultura espanhola desde tempos imemoriáveis"
afirmou Esperanza Aguirre Dixit, presidente da Comunidad de Madrid.
Foto: Yves Logghe-AP
   No concelho do Sabugal também se fala em apresentar um projecto para considerar a "Capeia" um Património Imaterial. Alguma tinta já se escreveu e muita ainda vai ser escrita.
   As capeias da raia sabugalense, para muitos que vivem aqui ou noutros lugares do Mundo, são parte da  sua história. Para essas pessoas, as capeias enobrecem e exaltam o orgulho  e para elas, as touradas à moda da raia, estão para eles como as festas de Santo António ou as Festas de São João estão para as pessoas das cidades de Lisboa e do Porto. As festas são uma tradição para quem as vive e as recorda. O mesmo acontece com as touradas com o forcão, uma tradição popular que remonta a tempos esquecidos.
  

11 Março 2010

REDE WIRELESS EM MALCATA E NO CONCELHO DO SABUGAL


                                       
   
          
Com que então as aldeias do concelho do Sabugal estão a usufruir de rede wireless e as pessoas estão satisfeitas, apesar de muitas vezes surgirem pequenos problemas?!!
    As fotografias mostram as três antenas instaladas na aldeia de Malcata. Não sei se existe mais alguma, mas por experiência própria e não efectuada no mês de Agosto, conclui que aceder à internet  em Malcata é só para os muito pacientes e vagarosos, para quem gosta de ir para a sombra do castanheiro do Centro de Dia, ou para algumas escadaria por ali perto. Para ler um "mail" o melhor é desistir e quanto a falar por Web Camara nem vale a pena tentar. Ás vezes lá se consegue, mas depois de muito aguardar e desesperar para que a coisa funcione. Fico a duvidar das palavras dos senhores da empresa que anda a instalar a rede wireless pelas freguesias do Sabugal. Primeiro, a intalação resultou de um acordo entre os presidentes de junta e uma empresa sabugalense, sem concurso e sem escolha dos melhores sistemas e ninguém sabe os termos desse acordo. Limitaram-se  à colocação de antenas e um rooter e dizerem às pessoas que bastava ter uma placa de rede, solicitar a palavra passe e pronto...voilá internet. Na realidade, as coisas não se estão a passar dessa forma, pois não? Qual é afinal o objectivo desta rede wireless? Que toda a região do Sabugal tenha uma janela para o mundo à distância de um clique, ou a oportunidade para vender rooter's a quem não lhe ensinaram nada de informática? As pessoas ficaram entusiasmadas com a internet, mas toda a gente se queixa que é lenta, às vezes muito lenta mesmo e lá se vai o entusiasmo de aprender com o uso da internet. Porque raio é que uma antena a cerca de 100 metros de distância, ou até 50 metros, envia um sinal tão fraco e tão lento? E estes problemas técnicos são constantes...logo não são pequenos problemas. A internet veio para democratizar ainda mais a informação e a sua força transforma o bom em mau e o mau em bom.
   Vale a pena pensar nisto.
  

08 Março 2010

MULHERES DA ALDEIA

   Hoje as mulheres celebram o seu Dia Internacional. Algumas recordam aquele grupo de mulheres, operárias numa fábrica de tecidos em Nova Iorque, gritavam por melhores condições de trabalho, incluindo a redução da carga horária de 16 horas para 10 horas, um ordenado igual ao que pagavam aos homens e serem tratadas com dignidade no local de trabalho. Estas operárias foram reprimidas violentamente e trancadas dentro da fábrica que depois foi incendiada. Aproximadamente, morreram carbonizadas 130 tecelâs.
   Em todo o Mundo, comemora-se hoje, o Dia Internacional da Mulher, data recordada desde 1910, mas que somente em 1975, através de um decreto, foi oficializado pela ONU.

Mulher camponesa
   

Em Portugal, o dia de trabalho para muitas mulheres continua a começar muito mais cedo e termina mais tarde do que o dos homens. Nas aldeias vivem mulheres puras e imaculadas, sem maldades escondidas por apitos de metais preciosos. São mulheres que continuam a desconhecer a vida das outras mulheres que vivem nas cidades. Tratam da casa, do gado, das batatas e das couves, não têm geito para pintar os lábios, nem costumam ir ao cabeleireiro uma vez por semana, mas são belas e singelas, mesmo com unhas riscadas e rugas nos rostos. Para elas vai a minha lembrança e o meu apreço.


A Gentil Camponesa






Tu és pura e imaculada,

Cheia de graça e beleza;

Tu és a flor minha amada,

És a gentil camponesa.





És tu que não tens maldade,

És tu que tudo mereces,

És, sim, porque desconheces

As podridões da cidade.

Vives aí nessa herdade,

Onde tu foste criada,

Aí vives desviada

Deste viver de ilusão:

És como a rosa em botão,

Tu és pura e imaculada.

És tu que ao romper da aurora

Ouves o cantor alado...

Vestes-te, tratas do gado

Que há-de ir tirar água à nora;

Depois, pelos campos fora,

É grande a tua pureza,

Cantando com singeleza,

O que ainda mais te realça,

Exposta ao sol e descalça,

Cheia de graça e beleza.

Teus lábios nunca pintaste,

És linda sem tal veneno;

Toda tu cheiras a feno

Do campo onde trabalhaste;

És verdadeiro contraste

Com a tal flor delicada

Que só por muito pintada

Nos poderá parecer bela;

Mas tu brilhas mais do que ela,

Tu és a flor minha amada.



Pois se te tenho na mão,

Inda assim acho tão pouco,

Que sinto um desejo louco:

Guardar-te no coração!...

As coisas mais belas são

Como as cria a Natureza,

E tu tens toda a grandeza

Dessa beleza que almejo,

Tens tudo quanto desejo,

És a gentil camponesa



António Aleixo, in "Este Livro que Vos Deixo..."

02 Março 2010

SER BEIRÃO. SER DO SABUGAL

Um beirão do Sabugal quando regressa à sua aldeia revive emoções e sensações. José Carlos Lages, "beirão do sabugal" empossado recentemente como Vice-Chanceler da Confraria do Bucho Raiano, fundador e administrador do blogue "Capeiaarraiana", concedeu uma entrevista ao jornal "A Guarda" que merece ser divulgada. Os sentimentos, as emoções e as inquietações deste raiano são a voz de muitos beirões do Sabugal com dificuldade em expressar o que lhes vai na alma, mas que sentem a necessidade de que é mesmo necessário e urgente fazer alguma coisa para que o Sabugal não morra.
Transcrevo parte dessa conversa:
A Guarda: Quem é José Carlos Lages?
José Carlos Lages: «Sou Beirão. Sou do Sabugal».Acrescento, agora, neto e filho de naturais da freguesia de Ruivós. O meu avô paterno foi contrabandista e o materno tinha um rebanho de ovelhas.



A Guarda: Que ligação tem ao Sabugal?
José Carlos Lages: As minhas ligações , as minhas raízes...estão na freguesia de Ruivós, estão no som único e inconfundível dos sinos do «meu» campanário. As minhas ligações estão na Raia, estão nesta imensa e saborosa relação dos cheiros, dos sons, dos sabores, das palavras e das nossas gentes. Sou presidente da Associação dos Amigos de Ruivós, integro a Mesa da Assembleia Geral da Casa do Concelho do Sabugal em Lisboa e como gosto de dizer faço muitas milhas por mês na A23.
A Guarda: Qual a importância do bucho e de outros produtos da gastronomia raiana, para a economia do concelho do Sabugal?
José Carlos Lages: Os enchidos e o bucho são os melhores. Saborear um bucho em família ou com os amigos transporta-nos para os tempos da nossa meninice e da nossa infância...A importância comercial é actualmente, de reduzida importância. A Confraria tem autoridade legal para certificar a qualidade dos produtores e restaurantes e vai aproveitar essas competências para incentivar a produção, venda e oferta na restauração do bucho raiano.



A Guarda: A gastronomia, associada a outras potencialidades, pode contribuir para o desenvolvimento do concelho?
José Carlos Lages: Todas as tentativas são válidas. A região raiana tem uma gastronomia rica e variada onde se destacam os enchidos e o bucho, a truta do Côa, o mel da Malcata, os queijos e o cabrito. O desenvolvimento do concelho passa por convencer os turistas a visitarem a região e a ficarem mais do que um dia ou uma tarde. Mas é preciso acreditar, é preciso empreendedorismo porque escasseiam as oportunidades para inverter um cenário por onde se vão escoando as opções de vida e em lugar de regresso das nossas gentes assistimos ao abandono das nossas terras. Tem faltado muita sensibilidade cultural e política na Câmara e na Empresa Sabugal+. Os discursos e as obras têm sido feitos para dentro para aqueles que já estão convencidos esquecendo que é igualmente importante cativar os que são de fora. Felizmente sentem-se ventos de mudança com o novo executivo liderado pelo Engº.António Robalo, com uma vice-presidência feminina e uma oposição rejuvenescida e mais interventiva.

A Guarda: Como considera o Sabugal do ponto de vista do turismo e do património?
José Carlos Lages: O sabugal tem um património arquitectónico, gastronómico e histórico invejável. A Capeia Arraiana, os cinco castelos, o rio Côa com os viveiros de trutas e a barragem do Sabugal, as Termas do Cró, a Serra da Malcata e o lince que teima em voltar, o bucho e os enchidos, a história única do contrabando e da emigração a salto nesta zona da raia são marcas que não têm sido aproveitadas por falta de sensibilidade dos dirigentes políticos.

A Guarda: Que potencialidades existem e que, em sua opinião, ainda não estão devidamente valorizadas?
José Carlos Lages: Acima de tudo a Capeia Arraiana. Falta assumir como marca registada a Capeia Arraiana como património imaterial da Humanidade e como tradição com origem na raia sabugalense. Depois devia ser criado um grupo amador(tipo forcados) orientado pela Câmara Municipal do Sabugal ou pela Associação «Oh Forcão Rapazes» para que fosse possível actuarem em todos os lugares do mundo promovendo as terras do forcão. No passado mês de Janeiro, finalmente, a Câmara Municipal do Sabugal solicitou no INPI o registo das marcas «Capeia» e «Capeia Arraiana» para diversas actividades.
Para quando nas estradas que levam ao concelho do Sabugal a indicação: «Capital do Bucho Raiano»
«Terras do Forcão»
Penamacor tudo tem feito para promover a Serra da Malcata e os produtos que lhe estão associados como o lince, o mel, o queijo, etc...o Sabugal tem tido uma participação muito discreta. Belmonte apostou, em boa hora, nos vestígios e nas rotas relacionadas com os judeus. O Sabugal de acordo com um extraordinário trabalho de investigação do historiador Jorge Martins que está a ser publicado semanalmente no «Capeia Arraiana» tem imensos registos de famílias judias a residir no concelho.Infelizmente ficou de fora da aposta nos roteiros de turismo judeus. Aproveito para destacar o investimento privado «Casa do Castelo» que tem andado a pregar no deserto alertando para as potencialidades, enquanto alternativa de turismo sazonal, do investimento na investigação dos vestígios religiosos.
Apenas destaco mais duas: a fraca promoção que tem sido dada à truta das cristalinas águas do Côa e a incapacidade dos políticos e cidadãos influentes para saberem ouvir as ideias dos sabugalenses que sentem as suas origens mesmo não vivendo no concelho.
A Guarda: Como surgiu a ideia para a criação do seu blogue Capeia Arraiana?
José Carlos Lages: Começou por ser um desafio familiar da minha mulher e transformou-se na necessidade de alimentar uma paixão.O Paulo Leitão, além de primo, é um bom amigo e em conjunto temos investido o nosso saber e o nosso tempo livre para promover e destacar as terras raianas da Beira ( Alta e Baixa). O primeiro post, datado de 6 de Dezembro de 2006, diz apenas:«Castelo de cinco quinas, há só um em Portugal, fica à beira do Côa, na Vila do Sabugal».



A Guarda: Que balanço faz deste projecto que divulga o Sabugal na Internet?
José Carlos Lages: Costumo dizer que «acredito em pessoas, não acredito em projectos». Sinto que é um balanço muito positivo.
«Capeiaarraiana»mais do que um projecto é a alma de quem lá escreve e de quem o lê. O futuro inventa-se e como disse Fernando Pessoa: «Cultura não é ler muito, nem saber muito;é conhecer muito. Viver não é necessário. Necessário é criar.»




SOMOS BEIRÕES. SOMOS DO SABUGAL